Mais de 90% das unidades de conservação da Amazônia sofreram múltiplas queimadas nos últimos sete anos, segundo um balanço divulgado nesta quinta-feira (20) pelo pesquisador Alberto Setzer, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os dados mostram que 617 das 674 áreas protegidas da floresta tiveram focos de calor detectados via satélite entre 2000 e 2007. Entre as unidades de conservação federais, o índice foi de 80%. Entre as estaduais, 77% e terras indígenas, 64%. "Dezenas de unidades de conservação estão pegando fogo todos os dias, e quase nada acontece", disse Setzer.
A maioria das áreas não possui brigada de incêndio, e muitas não têm nenhum equipamento ou equipe fixa. Segundo Setzer, praticamente 100% das queimadas são iniciadas pelo homem. Em alguns casos, o fogo invade as unidades pelas bordas. Mas a maioria tem início dentro da própria unidade, causada por invasores ou por fazendeiros que não deixaram a área após a criação das reservas. (Fonte: Herton Escobar/ Estadão Online)
Amazônia, meio ambiente, ecologia, biodiversidade, desenvolvimento sustentável, ciência e tecnologia, incubadoras e parques tecnológicos, política nacional e internacional - Amazonia, the environment, ecology, biodiversity, sustainable development, science and technology, incubators and technology parks, national and international policy
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Amazônia deixará de existir se desmate chegar a 50% - do Portal Eco Debate
Modelo pioneiro do Inpe que relaciona clima e vegetação indica que savana empobrecida se instala no lugar da floresta. Segundo pesquisador, corte adicional de 30% na área da floresta empurraria a vegetação a novo estado, no qual a mata não voltaria
A floresta amazônica deixará de existir se mais 30% dela forem destruídos. A afirmação foi feita ontem em Manaus, durante a conferência científica Amazônia em Perspectiva.
“O número agora está consolidado. Se 50% de toda a Amazônia for desmatada, um novo estado de equilíbrio vai existir no bioma”, afirma Gilvan Sampaio, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Hoje aproximadamente 20% de toda a floresta amazônica, que tem mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, já sumiram “No Brasil, esse número está ao redor de 17%.” Por Eduardo Geraque, da Folha de S.Paulo, 21/11/2008.
E pode chegar aos 50% até o meio do século. Um estudo de 2006 da Universidade Federal de Minas Gerais prevê que, se o ritmo do corte raso continuar, quase metade da floresta que sobra hoje tombará até 2050.
O novo modelo desenvolvido pelo pesquisador não considera mais a vegetação como algo estático, como ocorria nos estudos apresentados anteriormente. “Desta vez, existe uma espécie de conversa entre o clima e a vegetação”, afirma Sampaio, que havia publicado uma versão anterior de seus modelos no ano passado.
De acordo com o estudo, que analisa a situação da floresta num intervalo de 24 anos, a região leste da Amazônia ainda é a mais sensível. Como o clima depende da vegetação, e vice-versa, a ausência de árvores na parte oriental da Amazônia fará com que as chuvas diminuam até 40% naquela região.
“As pessoas têm a idéia de que a floresta cortada sempre se regenera, mas nesse novo estado de equilíbrio isso não deve mais ocorrer, pelo menos no leste da floresta.”
O estudo também mostra que a geografia do desmatamento pouco importa para que o ponto de não-retorno da floresta seja atingido. “A questão é quanto você tira e não de onde”. Se países como o Peru e a Venezuela, onde a situação da floresta é melhor hoje, começarem a desmatar muito, todo o bioma estará em perigo.
A conseqüência desse novo equilíbrio ecológico será bem mais impactante no lado leste. Sem chuva, a tendência é que toda a região vire uma savana pobre. “Não é possível falar em cerrado, porque ele é muito mais rico do que a capoeira que surgiria na Amazônia.”
O oeste amazônico, entretanto, onde estão o Amazonas e Roraima, continuariam a ter florestas, mesmo nessa nova realidade climática. “A umidade continuaria a ser trazida do Atlântico pelo vento”, diz.
O desafio brasileiro para impedir que a floresta entre em um novo estágio evolutivo parece até fácil de ser resolvido -no papel. Dos 5 milhões de hectares da Amazônia que estão dentro do país, 46% são protegidos por lei. Mas, na prática, a preservação dessas regiões não é integral.
Uma prova clara disso foi dada ontem também na conferência de Manaus. Dados apresentados por Alberto Setzer, também do Inpe, mostram que entre 2000 e 2007 os satélites registraram focos de incêndio em 92% das unidades de conservação da Amazônia. “Isso me deixa consternado”, diz Setzer.
Em Roraima e Tocantins, 100% das áreas de proteção ambiental tiveram incêndios. “Muitas dessas unidades de conservação não têm nem meios para combater o fogo”, afirma o pesquisador.
O sumiço de parte da floresta amazônica terá conseqüências imediatas para o Nordeste. “A tendência de desertificação vai aumentar bastante”, diz Sampaio. O grupo do Inpe ainda estuda as conseqüências da possível nova Amazônia para as demais regiões do Brasil.
* Matéria enviada por Ruben Siqueira, CPT/BA, colaborador e articulista do EcoDebate.
[EcoDebate, 22/11/2008]
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A floresta amazônica deixará de existir se mais 30% dela forem destruídos. A afirmação foi feita ontem em Manaus, durante a conferência científica Amazônia em Perspectiva.
“O número agora está consolidado. Se 50% de toda a Amazônia for desmatada, um novo estado de equilíbrio vai existir no bioma”, afirma Gilvan Sampaio, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Hoje aproximadamente 20% de toda a floresta amazônica, que tem mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, já sumiram “No Brasil, esse número está ao redor de 17%.” Por Eduardo Geraque, da Folha de S.Paulo, 21/11/2008.
E pode chegar aos 50% até o meio do século. Um estudo de 2006 da Universidade Federal de Minas Gerais prevê que, se o ritmo do corte raso continuar, quase metade da floresta que sobra hoje tombará até 2050.
O novo modelo desenvolvido pelo pesquisador não considera mais a vegetação como algo estático, como ocorria nos estudos apresentados anteriormente. “Desta vez, existe uma espécie de conversa entre o clima e a vegetação”, afirma Sampaio, que havia publicado uma versão anterior de seus modelos no ano passado.
De acordo com o estudo, que analisa a situação da floresta num intervalo de 24 anos, a região leste da Amazônia ainda é a mais sensível. Como o clima depende da vegetação, e vice-versa, a ausência de árvores na parte oriental da Amazônia fará com que as chuvas diminuam até 40% naquela região.
“As pessoas têm a idéia de que a floresta cortada sempre se regenera, mas nesse novo estado de equilíbrio isso não deve mais ocorrer, pelo menos no leste da floresta.”
O estudo também mostra que a geografia do desmatamento pouco importa para que o ponto de não-retorno da floresta seja atingido. “A questão é quanto você tira e não de onde”. Se países como o Peru e a Venezuela, onde a situação da floresta é melhor hoje, começarem a desmatar muito, todo o bioma estará em perigo.
A conseqüência desse novo equilíbrio ecológico será bem mais impactante no lado leste. Sem chuva, a tendência é que toda a região vire uma savana pobre. “Não é possível falar em cerrado, porque ele é muito mais rico do que a capoeira que surgiria na Amazônia.”
O oeste amazônico, entretanto, onde estão o Amazonas e Roraima, continuariam a ter florestas, mesmo nessa nova realidade climática. “A umidade continuaria a ser trazida do Atlântico pelo vento”, diz.
O desafio brasileiro para impedir que a floresta entre em um novo estágio evolutivo parece até fácil de ser resolvido -no papel. Dos 5 milhões de hectares da Amazônia que estão dentro do país, 46% são protegidos por lei. Mas, na prática, a preservação dessas regiões não é integral.
Uma prova clara disso foi dada ontem também na conferência de Manaus. Dados apresentados por Alberto Setzer, também do Inpe, mostram que entre 2000 e 2007 os satélites registraram focos de incêndio em 92% das unidades de conservação da Amazônia. “Isso me deixa consternado”, diz Setzer.
Em Roraima e Tocantins, 100% das áreas de proteção ambiental tiveram incêndios. “Muitas dessas unidades de conservação não têm nem meios para combater o fogo”, afirma o pesquisador.
O sumiço de parte da floresta amazônica terá conseqüências imediatas para o Nordeste. “A tendência de desertificação vai aumentar bastante”, diz Sampaio. O grupo do Inpe ainda estuda as conseqüências da possível nova Amazônia para as demais regiões do Brasil.
* Matéria enviada por Ruben Siqueira, CPT/BA, colaborador e articulista do EcoDebate.
[EcoDebate, 22/11/2008]
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Meio Ambiente - Marina Silva pode ser autora de projeto que regulamente a Convenção 169 da OIT
A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse ontem (11) que pode ser a autora de uma lei que regulamente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. Marina falou em seminário realizado em Brasília, promovido por Ministério Público Federal e OIT, e explicou que apesar de se dispor a criar o projeto de lei, ainda não sabe como essa norma seria. "É preciso debater o assunto e encontrar a forma de fazê-la".
O Brasil é signatário da Convenção 169 da OIT, aprovada em 1989 e assinada pelo governo brasileiro em 1992, mas que só entrou em vigor no país em 2003. De acordo com essa convenção, os países signatários devem fazer consultas públicas e plebiscitos aos povos indígenas e quilombolas sempre que leis, normas e projetos de infra-estrutura envolverem essas comunidades. Apesar de a convenção estar em vigor no Brasil há cinco anos, ainda não existe uma lei que regulamente os plebiscitos.
De acordo com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, presente no seminário, existem hoje 60 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em terras indígenas, que portanto só poderiam ser executadas após a consulta aos povos atingidos. Até mesmo a Usina Nuclear de Angra dos Reis deveria ter consultado os índios guaranis.
Também presente no seminário, o representante da comunidade indígena boliviana Martim Guterrez fez duras críticas às Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia. Segundo ele, essas usinas causarão grandes impactos na Bolívia. Recentemente, documentos da Funai mostraram que existem índios isolados na área de impacto das usinas, e essas comunidades podem sofrer com o início das obras.
O Brasil é signatário da Convenção 169 da OIT, aprovada em 1989 e assinada pelo governo brasileiro em 1992, mas que só entrou em vigor no país em 2003. De acordo com essa convenção, os países signatários devem fazer consultas públicas e plebiscitos aos povos indígenas e quilombolas sempre que leis, normas e projetos de infra-estrutura envolverem essas comunidades. Apesar de a convenção estar em vigor no Brasil há cinco anos, ainda não existe uma lei que regulamente os plebiscitos.
De acordo com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, presente no seminário, existem hoje 60 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em terras indígenas, que portanto só poderiam ser executadas após a consulta aos povos atingidos. Até mesmo a Usina Nuclear de Angra dos Reis deveria ter consultado os índios guaranis.
Também presente no seminário, o representante da comunidade indígena boliviana Martim Guterrez fez duras críticas às Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia. Segundo ele, essas usinas causarão grandes impactos na Bolívia. Recentemente, documentos da Funai mostraram que existem índios isolados na área de impacto das usinas, e essas comunidades podem sofrer com o início das obras.
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