terça-feira, 23 de novembro de 2010

Depois da Guerra todos querem ser generais...., ou também soldados rasos.


Comentário do Blog: Fiquei assistindo de camarote o bate e rebate dos marqueteiros das campanhas para as eleições de 2010, no Estado do Pará, Edson Barbosa, da campanha do PT; Orly Bezerra, do Simão Jatene (Governador Eleito) e o Chico Cavalcante, ex-marqueteiro do PT e Ana Julia em 2006.

Agora é a vez do chamado "Segundo  Escalão" dos marqueteiros que entraram na discussão, para "redefinir" suas responsabilidades na campanha.

Um dos primeiro, não será o único em pegar o ventilador é o Glauco Lima, Diretor de Criação da campanha da Ana Julia, (por enquanto não seja desmentido pelo próprio Edson Barbosa). O Glauco aproveitou para levar nesse desabafo outros membros da equipe da empresa Link que já estavam conformados com sua discreta participação. Agora eles também vão colocar a Boca no Trombone. Vamos esperar.

Não devemos esquecer que Glauco já foi mencionado como o responsável de repasse de  recursos da campanha para a Link. Por isso teria renunciado à DC3, para assumir um compromisso direto na campanha da Ana Julia ou para tentar outros desafios na vida, como ele mesmo já disse. Outros falaram até de um "Glaucoduto". Conheço ao Glauco e não acredito nessa história sobre sua participação na transferência de recursos do Governo Ana Julia para a Link. Mas quando se trata de dinheiro, todo cuidado é pouco.

Concluindo: vamos aguardar o que falam os outros membros do Segundo escalão da Link, Porque o Glauco já disse que ele teve uma participação insignificante. como ele mesmo disse, e aí sem que eu não acredito:

"fui um produtor mais qualificado, um interlocutor com alguns setores locais, um papel com limitadíssimo espaço de influência, que foi gradativamente sendo encurtado, ao ponto de nas semanas finais eu já quase nem ir na produtora".

Eu não acredito porque sei que o Glauco é extremamente bem relacionado com todos os setores locais. Foi um dos responsáveis da campanha do Jader em 2006, já teve uma conta importante no Banco da Amazônia e no próprio governo da Ana Julia. Até renunciou à DC3, para se dedicar por inteiro à campanha do PT. 

Duvido também que o Marcelino Monteiro vai disser alguma coisa ao respeito. Ele ainda não acorda da ressaca da enorme derrota e não deve estar querendo saber de ninguém da Link, da DC3 e de ninguém. 

Ainda nem encontra resposta para a derrota, imaginem que vai entrar em uma discussão de bastidores de uma empresa que foi contratada pelo seu partido, que foi muito bem paga e que não consiguiu tirar sua ex-cunhada da rejeição em que se encontrava , desde fazia mais de 2 anos. Se o Marcílio abre a boca, aparecem muitos querendo sua cabeça. Ele e o PT ainda nem conseguem explicar, aos militantes do PT,  as razões desse duro golpe recebido. 


As coisas não estão encaixando direitinho, meus caros amigos. 



VEJA AQUI A CARTA DO GLAUCO LIMA AO EDSON BARBOSA. 

Deu no Blog da reporter. 

À Link o que é da Link: Glauco Lima responde a Edson Barbosa


Interrompo, de novo, meu recesso para postar uma carta que recebi, via e-mail, do publicitário Glauco Lima sobre sua participação na campanha de Ana Júlia Carepa

Publico na íntegra

"Eu tinha decidido não falar nada sobre a campanha de comunicação de Ana Júlia em 2010. Tinha deixado isso para bem depois, para quem sabe quando, distanciado do calor eleitoral e da fogueira de emoções, talvez eu fizesse um relato do que eu vi, ouvi e vivi, nesta que foi uma das experiências mais angustiantes dos meus 25 anos de atuação em propaganda e marketing.


Mas a referência feita pelo senhor. Edson Barbosa em entrevista ao jornal Diário do Pará, no dia 15 de novembro de 2010, me obriga a fazer um esclarecimento. Na entrevista, o presidente da Link Propaganda sugere ou deixa entender que eu atuei como Diretor de Criação na campanha, o que é uma inverdade absurda e, no mínino, um desrespeito ao verdadeiro diretor e coordenador de criação, o senhor. Theo Crus Neto, que tinha todos os amplos e totais poderes de dirigir a criação e atuar como estrategista, redator, criador de jingles, interagir com a governadora e seus principais assessores.


Se a campanha da Link foi tão boa, ele deveria destacar o nome de Theo Neto e o próprio nome dele, Edson Barbosa, já que Theo não cansava de repetir quase como um mantra, “ nessa campanha o marqueteiro, quem dá a palavra final, quem decide o que sai e o que não sai, é o Edson Barbosa”.

Quero deixar bem claro que não estou me isentado, me excluindo ou me eximindo de envolvimento nesta campanha. Assumo e confirmo que atuei, que procurei colaborar em tudo o que esteve ao meu alcance. Mas é inaceitável que só agora, depois da derrota eleitoral, os nomes dos profissionais locais sejam lembrados assim, para dar um verniz de integração com os nativos, quando o que se viu na campanha foi um comando centrado na Link, com seus executivos ocupando todas as posições decisórias e definindo os rumos tanto na pré-campanha, de março a junho de 2010, como na campanha em si, de julho a outubro.

A declaração de Edson Barbosa me obriga a fazer um relato da minha atuação neste trabalho que tentou reeleger Ana Júlia para o Governo do Pará. Para mim, a campanha começou em outubro de 2009, quando fui chamado pelo consultor Paulo Heinneck e pelo secretário de comunicação Paulo Roberto Ferreira, para influenciar mais diretamente na comunicação institucional, já que, embora minha então agência, a DC3 Comunicação, tivesse contrato com o governo, eu nunca tinha participado da definição da propaganda conceitual e informativa do governo.

Atendendo ao pedido de extrema urgência, coloquei no ar uma campanha, que foi de novembro de 2009 a março de 2010. Esta sim eu assumo e assino como Diretor de Criação. Neste período, embora as pesquisas quantitativas feitas por instituto local, já acusassem um pequena melhora na avaliação do Governo, sugeri que era preciso algum reforço, eram necessários estudos qualitativos para avaliar se o rumo estava certo, para fazer ajustes e refinar cada vez mais a campanha.

Mas, para minha surpresa, em março de 2010, fui comunicado da contratação da Link Propaganda, para ser uma espécie de consultora para orientar e definir toda a comunicação do Governo. Eu poderia ter rompido, me desligado do cliente, me afastado diante desta intervenção. Mas acreditei que com o aparato que a Link tinha, com as possibilidades de trazer profissionais experientes, promover pesquisas no Estado todo, investigar mais, com toda a expertise que alardeava, o reforço poderia ser positivo e ajudar no complexo esforço de levar o governo a um bom desempenho eleitoral.

Entendi que pular do barco naquela hora, de um governo já cheio de fragilidades, seria até desleal e continuei, mesmo num papel secundário e muitas vezes terciário, contribuindo para que a comunicação fosse cada vez mais eficiente.

A Link tinha o respaldo das pesquisas, de seus profissionais seniors, teve verba para fazer estudos que eles diziam serem inquestionáveis, que orientaram a escolha da linha “É a vez do Pará, pra você”. A campanha “A grande obra é melhorar a vida das pessoas” foi erradicada, a Link fez questão de não deixar nenhum vestígio do trabalho, mudou tudo e se deu ao requinte de pedir para que fossem tiradas até placas, como as colocadas perto de obras como o Ação Metrópole, que diziam “A obra é grande, mas a maior é melhorar a vida das pessoas”. Tudo foi apagado e só prevaleceu o conceito e as idéias da Link.


Já na campanha eleitoral, em julho, a Link tinha ocupado todos os espaços possíveis e imagináveis e estabeleceu o tema, que depois veio se confirmar desastroso até por eles mesmos, o “Acelera Pará”. Quando eu vi esta campanha, em encontro feito em num hotel em Belém, a linha estava determinada, o caminho era aquele e foi vendido como o grande mote para alavancar a candidatura de Ana Júlia.

Quero reafirmar aqui que propaganda tem que ter unidade, que acredito que é preciso ter uma cabeça que estabelece a linha, a defenda e se responsabilize por ela. Uma vez que o comando político definiu que o comandante era Edson Barbosa e sua Link, ou você concorda e tenta ajudar no que está definido ou vai cantar noutra freguesia.

Eu resolvi ficar, colaborar humildemente, fazer minhas críticas dentro, discordar, sem deixar vazar as discordâncias, alertar, muitas vezes banquei o chato, o advogado do diabo. Mas tudo o que eu dizia não era acatado, nada era aproveitado e parecia que eu não conseguia captar tanta inteligência, sabedoria, criatividade e acertos geniais.

Mas a Link era a agência da campanha, o Edson Barbosa foi o engenheiro responsável pela obra. Quero ressaltar aqui que a campanha, boa ou má, fraca ou forte, tem que ser assumida pelos seus autores. O Fernando Pena de Carvalho, Presidente da Digital foi citado e nunca foi chamado sequer para opinar sobre a cor de um cenário. Fazia apenas o que a Link determinava. A Ruth Vieira, paraense, contratada da Link, tinha funções operativas, nunca vi a Ruth numa reunião de comando dando opiniões. Essa coisa de citar as pessoas daqui, só agora, é muito injusto e até revoltante, diante do que passamos nestes meses.

O próprio Maurílio Monteiro pode confirmar tudo isso. Só quem mandava era o Theo, o João Lucas, a Ângela, os altos executivos da Link. Não estou aqui questionando a capacidade destas pessoas, só quero o Edson Barbosa assuma claramente os papéis de cada um e reconheça que tinha em mim e em outros profissionais locais, uma equipe de suporte, chamada para ajudar em assuntos locais, em tarefas obreiras, tanto que a Link me deu um insólito crachá de “Assistente de Coordenação” e agora no jornal vem me chamar de Diretor de Criação.

Outro ponto que quero deixar bem claro é que não sou contra a presença de empresas de outros Estados. Assim como quero que a empresas de comunicação do Pará busquem mercados pelo Brasil e pelo Mundo. Eu mesmo cheguei a sugerir a contratação, em janeiro de 2010, de uma consultoria para nos ajudar no trabalho.

Apesar de tudo isso, fiquei sim na campanha, atendi a pedidos de altos dirigentes do partido, até mesmo da própria governadora Ana Júlia, pessoa a quem respeito muito. Essa campanha, boa ou ruim, faz parte do meu currículo, nunca vou negar, mas não aceito que ocultem ou distorçam a verdade. Se eu tivesse que definir meu papel nesta campanha, diria que fui um produtor mais qualificado, um interlocutor com alguns setores locais, um papel com limitadíssimo espaço de influência, que foi gradativamente sendo encurtado, ao ponto de nas semanas finais eu já quase nem ir na produtora.

Mas fiz meu trabalho, evitei atrapalhar, gerar ainda mais crises, talvez tenha falhado em não brigar mais por meus pontos de vista, mas tenho a consciência tranquila que honrei a unidade, o grupo, o cliente que me contratou, mesmo correndo o risco dos desgastes graves que sofri.

Para concluir quero lembrar que sempre falei que a comunicação não pode ser apontada nem como a santa salvadora, nem como a vilã destruidora. Comunicação faz parte de um grande mix e conforme a maneira como é feita, pode ajudar ou atrapalhar. No caso desta campanha, o próprio Edson Barbosa me falou entre o primeiro e o segundo turno, que aqui na campanha de Ana Júlia isso não era bem verdade, porque a comunicação feita pela Link tinha sido mais que comunicação, tinha sido decisiva na gestão, na condução política, nas sugestões para a administração e que por isso teria uma responsabilidade muito maior do que geralmente se atribui ao marketing.

Portanto está aí, independente de julgamentos do que foi feito, a Link e Edson Barbosa que assumam suas responsabilidades técnicas e não fiquem querendo repartir a derrota com ninguém, porque eu tenho certeza que não repartiriam a vitória com ninguém que não fosse do seu seleto time".

Glauco Lima

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

MDS - Pobreza “custa” R$ 12,78

O Pará, que contribuiu com cerca de 1,8 milhão de votos para eleger Dilma Rousseff a primeira mulher presidente do Brasil, tem 45% da sua população vivendo com uma renda familiar per capita inferior a R$ 140. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), com base nos números dos beneficiários do Bolsa Família, 630.303 famílias paraenses possuem renda de até R$ 70,00, o que os caracteriza extremamente pobres, indigentes, e 44.378 famílias possuem renda entre R$ 70,01 e R$ 140,00 (pobres). É a esse pedaço do País que mais interessa a promessa ambiciosa da sucessora de Lula de erradicar a miséria nos próximos quatro anos. E o desafio já tem conta calculada. O preço de um investimento real no combate à pobreza no País é de R$ 21,3 bilhões anuais, de acordo com cálculos do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV).

De acordo com o levantamento, para financiar essa meta o custo médio a ser rateado entre todos os paraenses é de R$ 12,78 ao mês. A cifra é R$ 3,45 superior ao cálculo médio da população brasileira (R$ 9,33). Já em comparação com Santa Catarina, Estado com o menor quadro de indigentes e pobres do País, essa diferença é de exatamente R$ 10,00 a menos. Com o 9º maior desafio de erradicar a miséria entre todas as unidades federativas, o Pará está praticamente pela mesma diferença dos catarinenses em relação a Alagoas, Estado que está no topo do montante a ser desembolsado.

Eliminar a pobreza no Estado nordestino custará em média R$ 22,21 a cada alagoano. Os valores mostram que a promessa da nova presidente não é tão custosa quanto indicavam as primeiras avaliações. Mas o estudo ressalta que essa conquista depende de duas premissas: o mercado de trabalho continuar se expandindo na velocidade dos últimos anos (algo considerado pelos especialistas como muito difícil) e o novo governo ampliar o gasto com o Bolsa-Família (onerando ainda mais o Orçamento).

O programa consome R$ 13,4 bilhões ao ano e atende 12,7 milhões de famílias. Isso equivale a 0,4% do PIB, o que é considerado pouco. No Pará, o valor estimado de benefícios do programa é na casa dos R$ 150 milhões.

O Liberal Digital.

domingo, 21 de novembro de 2010

O governo tem 2 presidentes, mas não tem rumo; depois da reinvenção da CPMF, veio o incentivo à tavolagem

ELIO GASPARI 

Os dois cocheiros soltaram as rédeas 

NOSSO GUIA e a doutora Dilma estão como os cocheiros de uma diligência que soltaram as rédeas dos cavalos. 

Durante a campanha eleitoral prometeram rios de mel. Vitoriosos, presidem um país onde a agenda perdeu o rumo. Quiseram ressuscitar a CPMF. 

Mudaram de assunto, reuniram o Conselho Político do governo e apareceu o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), propondo a legalização dos bingos para custear aumentos salariais de servidores. Teve o apoio do deputado Sandro Mabel (PR), interessado no que chamou de "um presente" para a saúde. 

Durante a última legislatura, ambos foram glorificados por seus pares, que os absolveram em processos de cassação de seus mandatos. Mabel foi salvo no plenário, por 304 votos contra 108. Paulo Pereira, por 10 a 4, na Comissão de Ética. Afora o incentivo à tavolagem, abriu-se um debate em torno da participação do PMDB no governo. 

Ganha uma viagem a Cuba quem souber de uma só proposta que não envolva a ocupação (ou manutenção) de cargos e controle de verbas. Mabel habilitou-se ao prêmio Maria Antonieta ao justificar sua simpatia pelo aumento do salário mínimo: "O pessoal come mais biscoito". (O doutor é dono da marca do mesmo nome.) 

A única coisa que funcionou nas últimas semanas foi a operação-abafa para manter Erenice Guerra longe dos refletores. Em tempo: Maria Antonieta nunca disse que, sem pão, o povo deveria comer brioches, mas ficou com a fama.

‘Não me arrependo de nada’ . Pinochet também não se arrependeu de nada


 O economista Antônio Delfim Netto tinha 42 anos e já era ministro da Fazenda do governo Emílio Garrastazu Médici quando o general decidiu construir a rodovia Transamazônica. Ele foi o “cérebro” que conseguiu rearranjar o orçamento para conseguir o dinheiro que Médici queria. Aos 82 anos, ele admite que não houve o planejamento necessário para a obra e que o projeto de colonização da Amazônia foi conduzido com erros, mas se defende dizendo que a obra foi feita em caráter emergencial para acudir as vítimas da seca do Nordeste. De seu escritório em São Paulo, Delfim Netto concedeu esta entrevista.




Como é que o governo decidiu construir a Transamazônica?


 Foi decidido num vôo. Era uma época em que tinha uma seca pavorosa no Nordeste e o presidente Médici (general Emílio Garrastazú Médici) chegou naquela região nesse momento mais grave da seca e ficou muito preocupado. Tinha umas frentes de trabalho lá, mas as pessoas estavam morrendo de fome. A ideia foi: será que não era possível abrir um espaço onde a seca não fosse tão dura? Foi aí que surgiu a ideia da Transamazônica.


Há muitas críticas sobre a maneira como os projetos de colonização foram conduzidos e sobre o sonho de transformar a Amazônia num ‘celeiro agrícola’. Como o senhor avalia essas críticas?


Era uma aventura e a gente não conhecia aquilo direito. Era uma medida de emergência. A obra nunca terminou de fato. O processo de colonização não foi aquele que deveria ter sido feito pelo desconhecimento do terreno, mas é evidente que se poderia ter mudado o rumo do processo. Era possível fazer um foguete espacial e chegar à Lua que o nosso retorno junto aos críticos seria melhor. O povo estava passando fome. Não podíamos dar trela para a oposição. Eles diziam que a rodovia ligava nada a coisa nenhuma.


E por que a Transamazônica deixou de ser prioridade no governo?


Na verdade, o que aconteceu foi que com a crise de 1979, quando preço do petróleo subiu dramaticamente, o governo começou a se endividar. Até 1974, por exemplo, nossa situação fiscal era ótima. Isso coincidiu com o fim dos créditos externos. Tivemos que fazer um ajuste fiscal terrível. A Transamazônica, por exemplo, foi feita com recursos próprios. A gente não tinha déficit nenhum.


Mas o senhor não acha que um investimento deste porte deveria ter sido feito com mais cuidado?


Não faltou planejamento? Fala-se em US$ 1 bilhão de dólares em gastos...


Não sei de onde saiu esse valor. Nós não tinhamos nenhuma experiência na ocupação da Amazônia, mas isso era uma falha que poderia ter sido corrigida. O problema é que a estrada deixou de ser prioridade para os governos militares e para os civis que os sucederam. Havia problemas, sim, mas se preferiu abandonar o projeto a corrigí-lo.


Na sua avaliação, valeu a pena construir a Transamazônica?


Acho que sim. Na verdade, ela produziu uma alternativa para aquela gente que foi a ocupação da Amazônia. Foi uma obra de emergência num instante em que o Brasil estava vivendo uma crise de seca dramática. Hoje, quando você olha para trás, você pensa que é claro que tudo poderia ter sido feito melhor se tivéssemos o conhecimento da Amazônia que temos hoje. O problema é que a crítica sempre se faz depois que a coisa aconteceu. A verdade é a seguinte: quem não começa não termina.


Em relação à Transamazônica, o senhor não sente algum tipo de arrependimento?


Eu sinto que cumpri minha missão e não tenho nenhuma dificuldade em defender aquilo que foi feito. Não me arrependo de nada.


O senhor é a favor da abertura de novas estradas na Amazônia?


Claro que sou. Hoje temos mecanismos de defender a Amazônia e usar seus recursos naturais minimizando os prejuízos ambientais. Essa ideia de que temos de construir um santuário, um museu antropológico, não pode ser encarada como uma verdade. Principalmente porque hoje encontramos formas e mecanismos muito eficientes para proteger o meio ambiente.


Entrevista completa
 
aqui

Mineração tem déficit de mão de obra - Exposibram Amazônia 2010 e 2º Congresso de Mineração da Amazônia,

Procuram-se profissionais na área de mineração.

A demanda por trabalhadores especializados no setor mineral é grande e, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a tendência é aumentar diante de um cenário que aponta para um horizonte promissor, sobretudo no Pará. Até 2014, o Brasil receberá uma soma de investimentos superior a US$ 62 bilhões feitos pelo setor. Tamanho volume de recursos, empregados em sua maioria pela iniciativa privada (cerca de 90%), gerará um crescimento econômico de proporções ainda desconhecidas na história paraense.

NOVAS VAGAS

Os mais de US$ 62 bilhões a serem injetados na economia brasileira por grandes empreendimentos deverão criar cerca de 120 mil novas vagas de emprego, até 2014. O polo Carajás (sul e sudeste do Estado) será a região que mais vai empregar nos próximos anos. Serão 64.144 novos postos de trabalho. Se por um lado a implantação de novos projetos minerários no Pará gera expectativas, a preocupação também se dá na mesma medida quando o assunto é mão de obra especializada. Na área de mineração, a lei da oferta e da procura pesa cada vez mais para o lado das empresas: “O problema da mão de obra talvez seja, hoje, o grande calcanhar de Aquiles do setor”, destaca Paulo Camillo, presidente do Ibram, acrescentando ainda que o déficit de pessoal qualificado para atuar na mineração chega a 90%.

SOLUÇÕES

Para tentar resolver o gargalo, as empresas têm buscado soluções que vão desde o resgate de profissionais já aposentados até o investimento em capacitação e formação da mão de obra local. É a corrida para cumprir o cronograma de implantação dos empreendimentos. “As empresas já começaram a buscar pessoas de especialidades diferentes.

Os engenheiros civis, por exemplo, estão passando a trabalhar na área de mineração”, afirma Camillo. E a alternativa encontrada pelas empresas de especializar os profissionais da engenharia civil na área da mineração também enfrenta outra conjuntura nacional: o déficit brasileiro por profissionais de Engenharia já é um motivo de alerta, de acordo com o presidente do Ibram: “Até 2014, o Brasil deveria ter formado 50 mil engenheiros por ano e estamos formando 30 mil. A Coreia forma cinco vezes”, calcula.

EXPOSIBRAM

A geração de emprego e renda na mineração, assim como o desenvolvimento local e regional proporcionado pelos empreendimentos do setor, serão discutidos na Exposibram Amazônia 2010 e 2º Congresso de Mineração da Amazônia, que acontecerão de 22 a 25 de novembro, no Hangar Centro de Feiras e Convenções da Amazônia. O evento é uma iniciativa do Ibram e contará com mais de 100 expositores, confirmados.


QUERE SABER MAIS SOBRE MINERAÇÃO?.


CONSULTE O PLANO NACIONAL DE MINERAÇÃO PNM-2030

sábado, 20 de novembro de 2010

O mundo encontrado por Obama não era esperado por ele

  

 Na quarta-feira, David Axelrod, principal conselheiro político do presidente Barack Obama, pareceu sinalizar que a Casa Branca estava pronta para fazer uma redução de impostos – a ceder aos pedidos dos republicanos para estender os cortes de impostos não só para a classe média, mas também para os mais ricos. “Temos que lidar com o mundo da forma como o encontramos”, declarou. 
 
A Casa Branca tentou voltar atrás em relação à declaração de Axelrod. Mas foi um comentário revelador, sob muitos aspectos. O ponto óbvio é o contraste entre o comportamento de cachorro abandonado do governo atual e a retórica grandiloquente de Obama quando era candidato. Como foi saímos de “somos aqueles por quem esperávamos” e chegamos nesse ponto? Mas a ironia amarga vai além disso: o principal motivo pelo qual Obama se encontra nessa situação é que há dois anos ele não estava, de fato, preparado para lidar com o mundo que iria encontrar. E parece que ele ainda não está. 
 
Olhando para trás, as raízes do desânimo democrata vêm da forma como Obama concorreu à presidência. Muitas e muitas vezes ele definiu o problema dos Estados Unidos como um problema de processo, e não de substância – tínhamos um problema não porque havíamos sido governados por pessoas com as ideias erradas, mas porque as divisões partidárias e políticas habituais haviam impedido que homens e mulheres de boa vontade se juntassem para resolver nossos problemas. E ele prometeu transcender essas divisões partidárias. 

 Essa promessa de transcendência pode ter sido boa para a política das eleições gerais, embora até isso seja questionável: as pessoas esqueceram quão próxima estava a corrida presidencial no começo de setembro de 2008. Mas a verdadeira questão é se Obama poderia ter mudado de opinião ao se deparar com a tempestade partidária que todos aqueles que se lembram dos anos 90 sabiam que estava chegando. Ele era capaz de levantar o moral – mas seria capaz de lutar? Até agora a resposta foi não.

Leia o artigo completo no UOL.

Paul Krugman
Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, Krugman venceu o prêmio Nobel de economia em 2008

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Emocionada, Dilma pede a petistas tolerância para governar coalizão


Em primeiro encontro com o PT após eleita, futura presidente encarna o gestual petista, se emociona, faz ironias, mas cobra de correligionários maturidade para ceder espaços na coalizão; dirigentes farão lista pedindo cargos em ministérios e estatais.





"A partir do momento que nós ganhamos, nós também temos que compreender esse processo com maturidade. A compreensão é que temos que governar para aqueles nos apoiaram e para aqueles que não nos apoiaram", disse a presidente eleita. Ao pedir compreensão aos petistas para governar, Dilma destacou a capacidade do PT de entender que, mesmo com posicionamentos políticos diferenciados, é importante a relação com os demais partidos que integram "a coligação que vai governar o País". "Aprendemos a conviver com as diferenças. E sabemos que é possível, apesar das diferenças, criar um consenso em prol do Brasil’, afirmou Dilma. "Nós somos pessoas muito mais experientes na complexa relação entre partido, governo e movimento social", observou. "O fato de termos responsabilidades diferentes e características diferentes não significa que nós não tenhamos o mesmo grande projeto de transformação do País."

A divisão de espaços no futuro governo e a formação de um "blocão" no Congresso, integrado por cinco partidos (PMDB, PP, PR, PTB e PSC), dominaram os bastidores da reunião de ontem. "O PT e o PMDB estão condenados a se entender e a governar juntos com os partidos que apoiam Dilma", disse o ex-ministro José Dirceu, que foi uma das estrelas do encontro. Dilma foi escoltada por "figurões" do partido, como o governador reeleito Jaques Wagner (BA), chamados a reforçar os canais de comunicação da eleita com o PT. Na reunião, o PT deixou claro seu apetite por cargos.

No governo Lula, o partido ocupa 17 dos 37 ministérios. Ficou acertada a criação de uma comissão do partido para apresentar nomes e áreas que o PT quer abocanhar no futuro governo. Na mira estão os ministérios das Cidades, Saúde, Comunicações e Integração Nacional, pastas hoje nas mãos de peemedebistas e do PP.

"Foi uma reunião de deputados, senadores e dirigentes do partido que acharam que deveríamos pleitear áreas que o PT não ocupa hoje", resumiu o presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra. "Vamos apresentar uma lista com os nomes e áreas que queremos e caberá ao Dutra levá-la para a presidente eleita", disse o líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE). A lista vai englobar ministérios, estatais e cargos de segundo escalão.

Estadão.com.br

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu concordo.


O drama de Fernando Haddad


O que está ocorrendo com Fernando Haddad é uma dupla tragédia, devido aos desgastes provocados por erros nas provas do Enem. 

A primeira delas é coletiva: apesar de todas as limitações, o Enem é um avanço no vestibular, exigindo do aluno mais habilidade de associar informações do que decoreba. É um jeito de melhorar o ensino básico, com um currículo mais sintonizado com realidade. Vai tomar tempo até esse teste ganhar credibilidade. 

A segunda tragédia é pessoal: é possível que a marca de Fernando Haddad, pelo menos em boa parte da opinião pública, fique associada a esse rumoroso episódio de fim de governo. Não é justo. Quem acompanha a educação de perto sabe que a gestão de Haddad tem avanços significativos.. 

Em sua gestão, ampliou-se, como nunca, a transparência de dados educacionais, a ponto de conhecermos a nota de cada escola ( o que prefeitos e governadores em geral não fazem), criaram-se metas de longo prazo, estabeleceu-se um marco para a ampliação da jornada escolar e estímulo ao uso da comunidade como espaço educativo, ampliaram sistemas para estímulo à formação de professor, ganhou mais força o ensino técnico. 

Houve um estímulo a se pensarem novas ideias, especialmente no currículo e uso das novas tecnologias, Sempre esteve aberto a ouvir novas sugestões. 

Apesar do corporativismo doentio do PT, ele abriu as portas para empresários e empresas preocupadas em melhorar a educação pública. Pode-se dizer, com toda a segurança, que foi uma boa gestão, com a habilidade de ter seguido muitas políticas deixadas pelos antecessores. O lamentável episódio do Enem não reflete o conjunto da sua obra. 

 Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha.com às segundas-feiras.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O que todo mundo já sabia. Documento oficial alerta para desindustrialização

O país vive um processo de desindustrialização? O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio tomou partido nesse debate em documento no qual afirma que o processo existe, é preocupante e ameaça as contas externas.

O trabalho, que circula reservadamente na equipe econômica e foi obtido pelo Valor, sugere que o governo deveria criar uma "diretriz" para elevar o saldo comercial, hoje em torno de 9% das exportações, para um nível mínimo de 14%.

No primeiro semestre, o superávit comercial foi de US$ 7,9 bilhões. Para eliminar a necessidade cobrir as contas externas com investimento do exterior, seria necessário saldo de US$ 19,5 bilhões. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o governo deveria estimular exportações, numa clara oposição às intenções do Ministério da Fazenda, que tem proposto controle de importações.

O documento sustenta que é evidente a "reprimarização" da pauta de exportações. No primeiro semestre, a participação dos manufaturados foi de 40,5%, abaixo dos 43,4% dos produtos básicos, "composição que retrocede ao patamar de 2008". A indústria de transformação, que chegou a ter superávit de US$ 31,9 bilhões em 2005, registrou déficit de US$ 13,9 bilhões no primeiro semestre deste ano. Setores como têxteis, confecções, móveis e veículos, que eram superávitários, operam com déficit. O setor de veículos passou de superávit anual médio de US$ 9,1 bilhões (2004-2007) para déficit de US$ 3,1 bilhões em 2009.

O déficit da indústria cresce à medida que aumenta a valorização do real em relação ao dólar. José Velloso Dias Cardoso, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), diz que o aço longo de países europeus, por exemplo, chega ao país com preço 40% inferior ao do produto nacional. A mesma tendência ocorre em outros produtos siderúrgicos, como vergalhões e fio-máquina.

O preço do aço nacional chega a ser o dobro do chinês, diz Velloso. De janeiro a setembro, a importação de produtos siderúrgicos somou US$ 3,95 bilhões, quase o dobro dos US$ 2,06 bilhões do mesmo período do ano passado. A indústria metalúrgica ainda tem superávit, mas o saldo caiu de US$ 3,66 bilhões de janeiro a setembro de 2009 para US$ 689,7 milhões nos três primeiros trimestres deste ano.

Da Amazônia para o mundo. Deu no Blog do BACANA

Da Amazônia para o mundo. 

O volume de exportações da Damazônia Chocolates, já chega a 25% do faturamento total da marca paraense. 

Os bombons finos com sabores regionais são fabricados e embalados em Belém, e vão direto para os Estados Unidos e a Europa, onde já conquistaram o paladar dos gringos. 

No Brasil, a fábrica exporta para as lojas Dutty-Free dos aeroportos internacionais e para os gigantes Pão de Açúcar, Carrefour e La Selva. 


E o BACANA sabe onde que nasceu essa exitosa empresa paraense?, que hoje, também, abastece as principais lojas de conveniência aqui em Brasília?

Perguntem para o dono da empresa e responderá que foi na Incubadora de Empresas da UFPA. 
O Programa de Incubação de Empresas da UFPA, que segundo o Governador eleito, Simão Jatene, no seu governo receberá, junto com os Parques Tecnológicos do Guamá de Santarém e do Marabá, um novo incentivo para ampliar o uso da biodiversidade no contexto de um modelo sustentável para a Amazônia.

Temos a expectativa que a inovação será o foco dos programas do novo governo do Estado. 

Do poço de mágoas ao poço de maldades


Originalmente era essa mágoa que deixou a governadora e a equipe de coordenação do governo petista. Agora veio o poço de maldades da empresa que fez o marqueting da campanha.



Leia aqui a entrevista ao marqueteiro da LINK, da Bahia, que explica as causas da derrota do PT e da Ana Julia. A única candidata do PT que não se reelegeu, no Brasil.

A outra mulher foi lá no extremo Sul e foi tucana.

A entrevista está no Diário do Pará Aqui

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tecnologia - Facebook deverá lançar nova ferramenta hoje


 TECNOLOGIA 1 

Facebook deve lançar e-mail hoje, segunda feira 15 de novembro.

O tão esperado serviço de correio eletrônico da maior rede social do mundo deve ser apresentado durante evento de mídia do qual Mark Zuckerberg vai participar, segundo o jornal britânico "The Guardian". 

A empresa, no entanto, disse não comentar "especulações sobre futuros produtos".

TECNOLOGIA 2

Primeiro PC, feito pela Apple, vai a leilão A casa de leilões Christie's pôs à venda em Londres um dos primeiros computadores da Apple, considerado o primeiro PC. Com memória de 8 Kb e construído em 1976 por Steve Jobs e Steve Wozniak, cofundadores da empresa, ele deverá ser vendido por entre US$ 159,8 mil e US$ 239,7 mil.

sábado, 13 de novembro de 2010

Celine dion, Shanaia Twain, e Gloria Estefan, com a magia e o encanto de Carole King

CORRUPÇÃO - Na Secretaria do Estado do Meio Ambiente, Pará

Oito pessoas presas por participação em fraudes para liberar processos ilegais 

A operação 'Térmita' da Polícia Federal realizou a prisão de sete pessoas, ontem, em Belém, e uma em Fortaleza (CE).

A maioria é ou foi servidor da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), onde teria se instalado um esquema de pagamento de propina para liberar processos e até autorizar projetos fantasmas.

Em nota, o órgão informou que ainda desconhece o teor da denúncia. Nada sabia.

Em Belém foram presos Jacinete Silva Lima, Lucas Steffen Velasco, Edson Carvalho Brasil, Fernanda Suely Santos Araújo, Maria Cláudia Pinheiro Coroa, Mário Carlos Penna Mourão e José Augusto Ferreira de Oliveira.

Em Fortaleza, onde estava a passeio, foi preso Fernando Luiz Dias Mouta. As prisões são preventivas e foram efetuadas em cumprimento à ordem judicial da 1ª Vara de Inquérito da Capital.

Oito mandados judiciais também levaram à apreensão de documentos e computadores nas casas e escritórios localizados em Belém, Dom Eliseu, Ananindeua e Ulianópolis.

Cairam os peixes pequenos, ainda faltam os grandes, os que comandavam o esquema, da cúpula  da Secretaria.

O Liberal

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Confira os gabaritos das provas do Enem 2010 - Estudantes podem pedir correção especial em site

Já está disponível no site do INEP o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o módulo para que os estudantes que tenham sido prejudicados por erros na folha de respostas possam solicitar a correção invertida do gabarito.

No primeiro dia do exame, a  folha em que os estudantes marcam as respostas das questões estava com o cabeçalho das duas provas trocado – a primeira metade das questões era de ciências humanas e o restante, de ciências da natureza, mas na folha de marcação as questões estavam identificadas de forma invertida.

O MEC diz que alertou os fiscais de sala para que orientassem os alunos a seguirem a ordem numérica. Quem foi mal orientado e  trocou a ordem do preenchimento, poderá fazer o requerimento para a correção invertida.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) também divulgou hoje no site do Enem o gabarito das provas. (Agência Brasil)

A gente perdoa, mas não esquece

Me lembro, como se fosse ontem, quando um secretário do Governo do Estado do Pará, que em janeiro de 2011 deixará o cargo, falou para sua nova secretária: "Informe aos assessores e DAS que nem precisam subir, que já estão todos exonerados". Esse estilo perdurou até dia 1 de novembro.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Meio Ambiente - OEA pode recomendar suspensão do Belo Montes (Blog do Deputado Nilson Pinto)

OEA pode recomendar suspensão de Belo Monte

Por Nilson Pinto

Recebi por e-mail e divulgo:

A Organização dos Estados Americanos (OEA) recebeu hoje (11/11) um documento que denuncia as ilegalidades no processo de licitação e os impactos às comunidades indígenas e ribeirinhas que serão atingidas pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Assinada pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre e por outras organizações representantes das comunidades – Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Prelazia do Xingu, Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global e Associação Interamericana de Defesa do Ambiente (AIDA) –, e elaborada com a participação de mais de vinte organizações e movimentos sociais apoiadores, a petição solicita em caráter de urgência a concessão de medidas cautelares* para a suspensão do processo de licenciamento ambiental do projeto. Na denúncia, as entidades afirmam que o Brasil está violando tratados internacionais ao ignorar direitos fundamentais das comunidades Arroz Cru, Arara da Volta Grande, Juruna do Km 17 e Ramal das Penas, todas à beira do rio Xingu.

O deslocamento forçado – sem consulta prévia e consentimento livre das comunidades – e as ameaças à segurança alimentar, ao meio ambiente e ao acesso a água potável são alguns dos problemas graves do projeto ressaltados no documento. As organizações lembram que em 2009 a OEA concedeu medidas cautelares que determinaram a suspensão das obras de construção da usina hidrelétrica Chan 75, no Panamá, devido ao deslocamento forçado de comunidades indígenas locais.

Outros casos da América Latina também são citados. Baseadas em pareceres de órgãos estatais – como o IBAMA e o Ministério Público Federal – e em laudos técnicos de especialistas, as entidades afirmam ainda que a construção de Belo Monte ocasionaria o aumento de doenças e da pobreza, além de causar o surgimento de fluxos migratórios desordenados que sobrecarregariam os sistemas de saúde, educação e segurança pública da região. “Apesar da gravidade e irreversibilidade dos impactos da obra para as comunidades locais, não foram realizadas as medidas adequadas para garantir a proteção dos direitos e do meio ambiente”, diz o texto do documento.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lula chefia operação que converte Enem em ‘tortura’, Deu no UOL (Josias de Souza)

Decidido a exercer a incompetência com a máxima competência, o governo converte o Enem em instrumento de tortura da estudantada.

Lula frequenta a encrenca como comandante do suplício. Primeiro, em solo africano, tirou os pés da realidade: o Enem foi “um sucesso extraordinário”.

Nesta quarta (10), ainda na África, o presidente ensaiou uma queda da ficha: "Nós vamos fazer uma investigação...” “...

Duas coisas estarão garantidas à juventude brasileira: a Polícia Federal vai fazer todas as investigações para saber o que aconteceu efetivamente...”

“...E nenhum jovem vai ficar sem cursar a universidade. Se for necessário fazer uma prova, faremos. Se for necessário fazer duas, faremos...”

 “...Se for necessário fazer três, faremos. Mas o Enem continuará a ser fortalecido".

Antes de retornar ao Brasil, Lula ainda passará por Seul, na Coreia do Sul. Dispõe de tempo para cair em si.

A bordo do Aerolula, pode ser que reflita. Ao encostar a sola do sapato nessa terra de palmeiras, sabiás e confusões talvez seja devolvido à realidade.

É possível que conclua: a garotada não enfia a cara nos livros por um ano para fazer duas, três provas do Enem. Uma só, sem erros, já basta.

Se o clareamento das idéias for completo, Sua Excelência pode até usar a tinta que lhe resta na caneta para assinar uma, duas ou três exonerações.

Não é necessário investigar muito para verificar que o MEC foi relapso. E o Inep, para dizer o mínimo, inepto.

Mineração - Consulta Pública Plano Nacional de Mineração 2030

O Ministério de Minas e Energia (MME) abre consulta pública para o Plano Nacional de Mineração (PNM-2030), cuja portaria n° 917 foi publicada, nesta quarta-feira (10), no Diário Oficial da União (DOU).

O documento, elaborado pela Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM), é o primeiro plano para um período de 20 anos realizado no País. Após um amplo processo que contou com a contribuição de estudos sobre o setor mineral brasileiro e a realização de várias oficinas e seminários com mais de 400 participantes, consolidou-se um documento base que ficará disponível para consulta pelos próximos 30 dias. Essa fase visa assegurar que todos os interessados no tema tenham a oportunidade de participar.

O documento base do PNM – 2030 pode ser acessado no endereço eletrônico do MME Aqui, na pagina da SGM, no ícone “Plano Nacional de Mineração 2030”. As contribuições deverão ser feitas em formulário específico (acesse aqui o formulário) , a fim de facilitar a consolidação do texto final, e serão recebidas durante o período de 10 de novembro a 9 de dezembro de 2010.

O formulário de contribuições poderá ser enviado para o e-mail pnm-2030@mme.gov.br ou para a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, no Ministério de Minas e Energia (Esplanada dos Ministérios, Bloco U, Sala 405, Brasília – DF, CEP 70.065-900).

Destaque aparte merece a participação da Professora Maria amélia Rodrigues da Silva na equipe de redação e de consolidação do Plano. ela é Assessora da Secretaria de Geologia. 


Para mais informações acesse o link: Aqui

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Presidente do INEP/MEC: Tenho orgulho de coordenar o ENEM 2010 e do dever cumprido. Mistura de ignorância, arrogância e imcompetência.

É curioso, mas as declarações do presidente do INEP/MEC, no sentido de que estava orgulhoso de haver concluído o ENEM de forma brilhante ("dever cumprido") não motivaram comentário algum, até parece normal acontecer isso no Brasil, os incompetentes parecem premiados. Até agora, ninguém manifestou indignação.

Brilhante sim é o Ministro de Educação e as importantes ações no plano educacional realizadas durante sua gestão. É um dos melhores ministro do Governo Lula. Agora esse arrogante e incompetente da vontader de chorar quando se autolegogia e ainda acusa a alunos pelos seus grosseiros erros e, ainda está impune.

Blocos de questões foram editados de forma errada o que motivou o equivoco de alunos, cadernos para as respostas também foram alterados e, em algumas regiões as perguntas foram retransmitidas do interior da sala por jornalistas e, tudo foi brilhante disse o presidente o INEP/MEC,  Joaquim José Soares Neto.

Ele continua no cargo, mentras o ENEM pode ser realizado, novamente e nossos filhos pagar pelos erros de um babaca.

O Presidente do INEP/MEC se está burlando de mais de 4 milhões de jovens, muitos dos quais definem, a partir do ENEM seu futuro.

Meu caro: Já ouviste a expressão: " expressão tu és um incompetente de m..."?.

domingo, 7 de novembro de 2010

O gato subiu no telhado


 Um britânico filmado por celular colocando o gato de seu sobrinho em um forno micro-ondas, uma secadora de roupas e um freezer foi condenado a 126 dias de prisão.

Colin Sherlock, 44, de Newton Abbot, na região inglesa de Devon, admitiu ter causado sofrimento desnecessário a um animal.

A sentença poderia ter sido maior se o acusado não tivesse admitido o crime. A corte o proibiu também de possuir um animal por dez anos.

Ele foi preso após Sherlock e dois menores de idade terem enviado o vídeo para conhecidos. Uma das pessoas que recebeu as imagens ficou chocada e entrou em contato com a polícia.

Detergente – O incidente aconteceu em maio. Sherlock agarrou o gato preto e branco e o colocou no micro-ondas por oito segundos.

Na sequência, ele o coloca em uma secadora que gira por sete segundos. O gato é então colocado em um congelador por outros 20 segundos.

Quando o freezer é aberto, o animal não consegue se mover rapidamente e é jogado por Sherlock em uma tigela com água e detergente.

O promotor do caso, John Wyatt, disse que, após o ocorrido, o gato tornou-se ‘extremamente nervoso e sofreu um sério trauma psicológico’.

O advogado de Sherlock disse que este alega que bebeu antes do incidente e estaria ‘envergonhado’ do que fez.

O gato ainda encontra-se recebendo cuidados antes de ser reintegrado a uma família.

(Fonte: G1)

Ela parecia Margaret Thatcher, disse ex-marqueteiro do PT. Todos falam, menos quem deve explicar o pq da derrota


 Preste atenção na entrevista do marqueteiro Chico Cavalcante, que foi o responsável pela maioria das campanhas do PT no Pará, menos esta de 2010. Ele, como todo marqueteiro, coloca a culpa da derrota da Ana Julia, na empresa Link que veio da Bahia, e que por tanto desconhecia o terreno e a realidade social e política do Estado. A mesma conclusão faz o jornalista "BACANA". 
Tudo muito simples e reducionista, já que parece ser que bastaria ser do Pará para ganhar qualquer eleição. Esse argumento é de uma simplicidade que não resiste nem merece maior análise. Imagine o marqueteiro do Lula e Dilma, que também fizeram sucesso em campanhas fora do Brasil e em países praticamente desconhecidos pelos marqueteiros. João Santana levou à presidência do “El Salvador”, esse pequeno país de Centro América a um ex-guerrilheiro da Frente FMLN (Frente Farabundo Martí de Liberación Nacional). E aí não é só não conhecer a realidade e não falar espanhol (qualquer um fala espanhol) é falar o verdadeiro dialeto dos centro-americanos, necessário para repassar a mensagem aos eleitores. 
A outra burrice do jornalista é pensar que "eleição se ganha e se perde no período eleitoral". Grande erro, os problemas são mais complexos e me estranha que um marqueteiro não consiga visualizar além da ótica da imagem e das e dos chavões clássicos da campanha.

Outra vez a questão é mais complexa. Se assim fosse uma campanha conseguiria transformar em dois a três meses, um bandido em santo ou uma santa Maria em Bandida.

E não é assim. A história conta e as instituições são de fundamental importância nestes casos. O economista, Prêmio Nobel de 1993, Douglass North, explica em detalhe o papel que as instituições desempenham no desenvolvimento e na evolução das sociedades. Conclusão, se nada disso existe, nada poderá ser refletido na campanha eleitoral. O contrário seria concordar com uma grande mentira que o povo não aceita. Mesmo assim alguns pensam que o povo é mesmo burro. O pior é que as vezes conseguem enganar.

Mas vamos a entrevista da jornalista do Diário do Pará ao marqueteiro Cavalcante. 


Responsável por todas as campanhas do PT no Pará entre 1994 e 2006, o jornalista Chico Cavalcante foi preterido, neste ano, pela agência baiana Link, que comandou os programas de rádio e TV de Ana Júlia Carepa, candidata à reeleição. 

Responsável pela campanha vitoriosa da coligação PSB-PT, que levou Camilo Capiberibe ao governo do Amapá, Cavalcante falou, por e-mail, com a repórter Rita Soares sobre o que considerou os erros fatais da campanha de Ana Júlia, que acabou derrotada na disputa com o tucano Simão Jatene. 

P: Qual sua real participação na campanha de Ana Júlia neste ano e por que ela foi tão restrita? 

R: Eu não tive nenhuma participação na campanha de Ana Júlia ou Paulo Rocha. Houve tentativas de me inserir na campanha, mas fui vetado pela Link (a agência baiana responsável pela campanha de Ana Júlia) que, ao considerar a eleição como ganha, estava antecipando comigo uma suposta disputa de mercado. Durante o primeiro turno participei da campanha de proporcionais, tão somente, ajudando a eleger alguns deles. 


P: A que o senhor atribui a derrota nestas eleições? 

R: A dois fatores: má engenharia política e comunicação ineficaz. A falta de uma política de aliança que reproduzisse o arco de apoio nacional à Dilma certamente foi um fator importante, mas poderia ser contornado durante a campanha pela construção de argumentos adequados, de posicionamento de marca que ajudasse a dar firmeza ao eleitor de Ana Júlia e o tornasse um propagador de sua decisão de voto. Ao fim e ao cabo, a derrota foi produzida por uma comunicação ineficiente de Ana Júlia em contraposição a uma comunicação extremamente eficaz de Simão Jatene. 


P: Quais foram os principais erros da campanha de Ana Júlia? 

R: Posso apontar três erros fundamentais. O primeiro foi insistir na tese do desenvolvimento como eixo único da campanha. Esse foi o erro político, de análise errada de conjuntura e da subjetividade do eleitor, que estruturou os demais. Quem é daqui sabe que esse erro já foi cometido antes e que o preço foi a derrota. Para recordar, esse foi o tema de Oziel Carneiro [cujo slogan, “O Pará vai disparar”, inspirou o “Acelera Pará”], quando disputou e perdeu para Jader Barbalho em 1982; foi o tema imanente de Sahid Xerfan, quando perdeu para Jader; o mesmo tema atravessava o discurso da campanha de Jarbas Passarinho, quando perdeu para Almir Gabriel; erro simétrico cometeu Almir Gabriel, quando perdeu para Ana Júlia, que agora pegou o discurso derrotado em 2006 e o trouxe para si. 
A base da antipatia a essa ideia é objetiva. Num Estado como o Pará, com IDH historicamente deplorável, falar em desenvolvimento e alardear de maneira desmedida soa ora como escárnio, ora como discurso desprovido de sentido. O efeito colateral dessa linha desenvolvimentista e desequilibrada foi aprofundar as diferenças regionais. Enquanto insistia em falar da Siderúrgica de Marabá, a campanha da Link deixava descobertas outras regiões, parecendo que privilegiou uma cidade ou região em detrimento de outras. Isso explica a derrota acachapante em Santarém. Especialmente para um candidato do PT, um partido com origem no movimento social, o centro do discurso tem que ser o fator humano, que é universal; Ana teria que insistir no social. Esse é o seu reduto. 

De costas para ele e guiada por estranhos, se perdeu. Já o erro de posicionamento de imagem foi o que fez consolidar a rejeição da governadora. A imagem apresentada ao eleitor aumentava a rejeição de Ana Júlia. Era a antítese da guerreira, da lutadora, da mulher destemida, da mulher sintonizada com o povo, da mulher que fez sua trajetória a partir dos movimentos sociais. 

Ela parecia Margaret Thatcher, a baronesa que foi primeira ministra da Inglaterra. Falava lento como se estivesse anestesiada, com estranha ênfase no final das frases. O terceiro erro grave da campanha de petista foi o de fugir ao confronto. Dilma teria perdido se não confrontasse. Só abriu diferença de Serra no segundo turno quando partiu pra cima dele. Ocorre que há quem confunda o termo “confronto” com a expressão “baixaria”. Não há baixaria na confrontação. Confrontar é respeitar o eleitor; é colocar em questão a fala do adversário. Toda campanha vitoriosa, inclusive a de Jatene, fez isso. O comercial “quem fez mais pelo Pará?”, criado por mim para a campanha de deputados, refutava o argumento adversário com base em dados públicos, apresentados pelo governo, sem baixaria nem ataques pessoais. Para o povo, vale a lógica “quem cala, consente”. Se você é atacado e não responde é porque não tem resposta, é porque o que o adversário diz é verdade. 

A Link fez o impensável, fez o PT calar. Extirpou a rebeldia. Domesticou o vermelho, azulou suas bandeiras. Desde o começo fez Ana Júlia e Paulo Rocha se apequenarem, falarem falas despossuídas de paixão, de vida, enquanto Jatene e Flexa Ribeiro ostentavam um vigor exemplar. A Link impôs ao PT um caráter lerdo, lento, abobalhado diante das denúncias e ataques que, por fim, foram sedimentando. Essa turma colocou na boca das principais lideranças do PT textos e falas abaixo da crítica.

A reação reflexa aos ataques, tipicamente de esquerda, inexistiu na campanha da situação. Mesmo em inferioridade de tempo no primeiro turno, Jatene conseguiu consolidar a rejeição da candidata petista, retirando a possibilidade de que essa rejeição inicial, natural em quem governa, caísse ao longo da campanha e se diluísse no segundo turno. 
Com a rejeição alta e sólida, o círculo de voto da campanha de Ana Júlia acabou se circunscrevendo praticamente aos votos do PT, situados um pouco além do terço do eleitorado identificado com a legenda. É curioso isso porque, ao fazer uma campanha azul no primeiro turno [no segundo turno a campanha tornou-se vermelha por imposição do partido, contra a vontade da Link], escondendo os símbolos do partido, negando a história das campanhas passadas, a Link queria que Ana se distanciasse do PT que, por fim, acabou sendo seu abrigo. 


P: É possível diferenciar o que foram erros de governo, erros da campanha e erros de comunicação?

R: Vejo que está havendo um grande esforço de atribuir a derrota de Ana Júlia a um suposto mal desempenho de governo. 

É um bode que estão colocando na sala. 

Rita, não se engane: eleição se ganha e se perde no período eleitoral. 

Não há resultado a priori. Dificilmente erros de governo podem impedir um candidato de ganhar eleição se sua campanha fizer o que precisa ser feito. Jacques Wagner, o governador da Bahia que venceu a eleição no primeiro turno, era muito mal avaliado e tinha uma sólida rejeição antes da campanha. 

Lula, em 2006, vinha de um profundo desgaste de governo advindo da crise do “mensalão”, ao ponto de que alguns analistas indicarem que ele não deveria nem tentar a reeleição. Duciomar Costa tinha 70% de rejeição e uma desaprovação recorde antes do pleito em 2008 e se reelegeu. Ao mesmo tempo, Almir e Jatene, que tinham altos índices de aprovação de governo perderam a eleição para Ana Júlia em 2006. Isso prova que avaliação de governo pode ser alterada ao longo de uma campanha eleitoral, rejeições podem ser reduzidas, ambientes desfavoráveis podem ser alterados. 


P: Qual dos erros pesou mais para o resultado que tivemos? 

R: O fator decisivo foi o posicionamento obtido pelos candidatos no decorrer da campanha. O que é posicionamento? É ocupar um lugar na mente do eleitor. Quem obtém o melhor lugar, vence. Como se faz isso? Com comunicação, com argumentos, com imagens eloquentes. Em uma campanha você não pode apenas afirmar a razão de voto em você, mas também a razão de não voto no adversário. Quem faz isso melhor, vence. Dito de outro modo, os erros de comunicação da campanha de Ana Júlia e os acertos da comunicação da campanha de Jatene foram os fatores que pesaram mais para o resultado final. 


Leia a entrevista completa no Diário do Pará.
Fonte: Diário do pará

sábado, 6 de novembro de 2010

Delfim - Fala que eu te escuto


ÉPOCA – Qual é o principal problema econômico que a nova presidente terá de enfrentar?
Antônio Delfim Netto – A (presidente) Dilma (Rousseff) recebe um governo muito melhor do que Lula recebeu. Com uma diferença: Lula pegou o governo quando vinha ventania de popa. Dilma vai receber o governo com ventania de proa. A ajuda que o crescimento da economia mundial deu ao período Lula está terminando ou já terminou. Neste novo cenário, você vai precisar de muito mais força do mercado interno se quiser manter seu ritmo de crescimento para continuar a distribuir renda. O Brasil precisará em 2030 dar emprego de boa qualidade a 150 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. Você não vai fazer isso exportando alimentos e minerais. Por mais complexas que sejam essas cadeias, você precisa de uma economia de serviços e industrial. Uma economia competitiva. Todas as políticas precisam incentivar a competição. Aliás, observem o que a Dilma disse sobre as agências reguladoras. Ela disse que gente competente será nomeada porque nós precisamos garantir a competição. Competição é o nome do jogo. 



ÉPOCA – A presidente eleita sabe que a situação mudou? 
 Delfim – Acho que ela tem plena consciência disso, como o Lula teve. Houve pequenos desvios na política fiscal em 2009 e 2010, mas há um grande exagero na crítica dos economistas que falam em desastre fiscal. Sim, houve uma aparição do mágico Harry Houdine. Ele transformou despesa em receita e depois em superávit primário. Mas tudo foi um pecado venial, feito durante um momento de grande necessidade. E produziu resultados importantes. O Brasil foi o país que emergiu mais depressa da crise, foi o país que voltou mais depressa ao nível anterior da crise. Nós, na verdade, sofremos durante dois trimestres, no terceiro já estávamos recuperando. 

ÉPOCA – Mas a ação do governo produziu estresse. 
Delfim – Produziu um estresse de entendimento. A verdade é que não há desequilíbrio fiscal gigantesco no Brasil. Lula e Dilma sabem que o equilíbrio fiscal é fundamental. Eles sabem que a relação entre a dívida pública e o PIB é um fator importante quando se quer reduzir a taxa de juros real. 

ÉPOCA – Como se pode chegar a uma taxa de juros mais baixa? 
Delfim – É preciso coordenar a ação fiscal e monetária. Você tem de dar ao Banco Central o conforto de que o combate inteiro à inflação não vai ficar apenas na mão dele. O papel dele é construir, como construiu, uma expectativa de inflação estável. Mas o governo tem de sinalizar com clareza que vai reduzir a relação entre dívida e PIB daqui para a frente.

ÉPOCA – Dilma falou que vai fazer isso... 
Delfim – Falou, e acredito que vai fazer. Na verdade, você esgotou todos os truques possíveis. Se disser que vai aumentar o superávit primário aumentando a tributação, vai dar tudo errado. Mas reduzir a dívida implica o seguinte: os salários, os benefícios, os programas de redistribuição do governo, que são e foram fundamentais, terão de crescer ligeiramente menos que o PIB. De tal forma que se abra espaço para o investimento público. No passado, a carga tributária era de 24%, e o Brasil investia 4% do PIB. Hoje, a carga tributária é 36%, e o Brasil investe 1,5%. Quando você diz que o superávit primário é fundamental, está dizendo que ele é fundamental em duas condições. Primeiro, que ele não seja construído com o aumento de imposto. Segundo, que não envolva nenhuma violação das crenças fundamentais de Luca Pacioli, o inventor da contabilidade. 

ÉPOCA – O senhor acredita que os desvios do governo nos últimos anos foram fruto apenas da necessidade? 
Delfim – Sim, é a política anticíclica. Só que, no Brasil, a política anticíclica não tem nada a ver com o ciclo. Quando o ciclo termina, a política continua. Mas agora é evidente que isso não pode acontecer, ainda que alguns pensem que o Brasil pode continuar a ser financiado apenas pelo BNDES. Temos de criar mecanismos de criação de poupança interna de longo prazo. E o Brasil tem uma vantagem em relação a isso: o mais sofisticado sistema financeiro de qualquer país emergente. O sistema financeiro brasileiro compete com o inglês e com o americano. Não tem comparação possível nem com o alemão. O Brasil está hoje no radar de 140 países e de 1,4 milhão de sujeitos que constituem seus portfólios com o real dentro. "O governo tem de sinalizar com clareza que vai reduzir a relação entre dívida e PIB daqui por diante. A Dilma sabe muito bem disso" 

ÉPOCA – Há uma crescente preocupação com a valorização do real. Como se pode resolver isso? Delfim – É ilusão imaginar que você pode controlar o câmbio quando existe esse diferencial de taxa de juros em relação aos outros países. O Brasil é hoje o único peru com farofa disponível na mesa do mercado internacional. Por isso o dinheiro vem para cá. Não é possível controlar o câmbio com medidas fiscais, como a elevação do IOF. O ministro (da Fazenda) Guido Mantega sabe disso. Ele elevou o IOF em legítima defesa, porque a valorização cambial está destruindo um sistema sofisticadíssimo de produção que foi construído ao longo dos anos. Mas, para resolver a situação de forma duradoura, teremos de caminhar para uma taxa de juro real de 2% ou 3%. Isso é fundamental. Quando tivermos essa taxa, não vai mais ser preciso se preocupar com o câmbio. 

ÉPOCA – Muita gente defende a reforma da Previdência. O governo atual e Dilma disseram que não é essencial. Qual é sua opinião? 
Delfim – Eu acho que ela tem de aprovar a lei que está lá, que o Lula mandou ao Congresso em 2003. A grande injustiça está na Previdência pública. É um negócio escandaloso. Dizem que há 5 milhões ou 6 milhões de brasileiros fazendo cursinho para entrar para o funcionalismo público, porque você transformou o emprego público no sonho do brasileiro. Ele pode ter um salário maior que o do setor privado, aposentadoria infinitamente melhor e nenhum risco. Assim, você leva as melhores inteligências para o serviço público. Mas eu não acho que haverá choque administrativo porque não precisa. Choque só perturba. Vai ter, na minha opinião, um programa de oito anos em que as despesas do governo vão crescer ligeiramente menos que o PIB. Eu acho que o pessoal que está no governo se caracteriza por um pragmatismo cuidadoso. 

ÉPOCA – Não falta no discurso do atual governo o reconhecimento dos avanços feitos por seus antecessores? 
Delfim – A ideia de que o mundo começou em 2003 é falsa, mas quem ajudou a fazer isso foi o PSDB. Ele é o maior inimigo do (ex-presidente) Fernando Henrique. O PSDB morre de inveja dele. Não consegue conviver com seu sucesso. Foi isso que ajudou o Lula a desconstruir FHC. Quando eles tentaram recuperar, já era tarde. E as discussões sobre privatização... Se você olhar, vai perceber que a privatização foi feita em estado de emergência. O Estado estava quebrado, precisava de dinheiro. E não há nenhuma privatização que não tenha produzido efeitos extraordinários. Mas o PSDB não foi capaz de defender as coisas mais importantes feitas por Fernando Henrique. A conquista da estabilidade é outro exemplo. O Plano Real foi uma pequena joia. Ter congelado a distribuição de renda sem que as pessoas tivessem entendido, ter liberado os preços, ter construído todo um equilíbrio no tricô e depois liberado tudo e ele continuar como estava. Foi uma coisa brilhante, um dos mais extraordinários planos de estabilização já construídos. Negar esse fato é uma estupidez.

Entre mortos e feridos

Revisite algumas anécdotas das eleições 2010. 


Vale a pena ver de novo.



Dilma e a geração do 68 que assume o governo

"A memoria histórica não deveria ser extinta. Ainda que os passos pisem mil anos este sitio (a Casa da Moneda do Chile, onde morreu Allende) não apagarão o sangue e não se extinguirá a hora em que caiste....... "

 Para quem esqueceu, a Presidenta do Brasil passou 3 anos na cadeia, foi torturada pelos mesmos militares que depois foram ao Chile a dar aulas de tortura, nos campos de concentração da ditadura chilena.

 

Quando Dilma estava na cadeia, seus contemporâneos lutavam nas ruas de muitos países da Améirica Latina. 

Um deles Miguel Enríquez. 




 A música daquela época.



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Depois da batalha o Campo ficou lotado de coroneis

Tem muitos analistas explicando as causas da estrondosa e arrasadora derrota da Ana Julia e do PT, na recente eleição. 

São tantos que juntos não cabem no Mangueirão. Todos querem dar palpites e são coronéis, depois da batalha. Blogueiros (principalmente), jornalistas, analistas, professores, até comentaristas esportivos, todos, menos o PT. 

Claro as explicações só podem vir depois do resultado das urnas. Mesmo assim, a maioria dos analistas afirmam que já tinham dito ao comando do governo o que estava ruim e tinha que ser alterado. “Me aplica”, como disse uma comadre. 

Coitados os marqueteiros da candidata derrotada. A empresa Link, o PH e Cia, da Bahia e Pernambuco. Já foram embora e aparecem, agora, como os principais responsáveis dos resultados horrorosos, como se fossem eles os únicos culpados. Essa é só inveja de marqueteiro. Eles podem até contribuir com a derrota, conheço um que nunca ganhou uma eleição importante no Pará, um verdadeiro pé frio, mas não são eles os responsáveis. 

É a alma da campanha que estava errada (leia-se AJ), a falta de empatia como o povo foi o desastre. Muitos esqueceram que em 2006 o Jader Barbalho foi o cara. Ele mesmo carregou no colo à candidata e levou-a a vitória, aí o povo passou a dar um voto de confiança. 

Depois veio o que todos falam, e com certa razão. Ela se desligou do povo, se enclaustrou no Palácio e nomeou uma “verdadeira corte” que não permitiam que ninguém que quisesse ajudar, colaborar e trabalhar pelo bem do Pará, alcançasse um espaço em algum órgão do governo. 

Mas ainda, se o técnico era competente, rapidamente era afastado do círculo e barrado do CIG. 

O PT tinha a máquina, o poder e como o próprio governo falou, “o Pará passou por uma grande reestruturação que mudou, para melhor, a vida do povo paraense”. Mil por cento. 

Contava com mais de uma dúzia de partidos na base de apoio, com recursos, com um PT formado por milhares de militantes, organizados em bases e comitês de apoio, que se multiplicavam por centenas e centenas, nos bairros das principais cidades do Estado. E com todo o apoio do Governo Federal, que se empenhou com todas as forças para que Ana Julia saísse vitoriosa da eleição. 

Excelentes ministros por aqui passaram. Tarso Genro, intelectual competente, um dos melhores quadros da esquerda brasileira, deu uma forçae nada. Alexandre Padilha, ótimo articulador, também veio varias vezes para tratar de arrumar a casa. José Dirceu, melhor canal de comunicação com Jader não existe, não conseguiu diminuir a mágoa desatada pelos artífices da estratégia governista. Faltava O próprio Presidente do PT, José Eduardo Dutra, Mineiro e Sergipano, veio e não conseguiu acertar as arestas.

Pareciam elefantes em loja de cristal, se movimentavam dando trombadas para onde viravam a cabeça. Até o Presidente do Brasil chamou aos líderes para ver como podia ser estabelecida uma estratégia comum para a reeleição da candidata do PT. Nada. Tudo foi inútil e o desgaste em vez de diminuir crescia. 

Aumentava a distância e não havia dinheiro nem marqueteiro que melhorasse a performance de quem estava ao frente da campanha. 

Era o conjunto da obra que estava errado. 

Por outro lado eu me pergunto, se existem governos horrorosos, que não tem piedade com o povo mais humilde e que nada fazem para melhorar a vida da população e conseguem se reeleger sucessivamente, passando o poder a filhos e sobrinhos, a parentes e amigos, por que aqui no Pará não aconteceu? 

Ainda aguardamos resposta oficial a essa pergunta. 

E o day after dos derrotados? Como se reflete o desastre nesse campo. Quantos feridos e mortos ficaram depois da batalha e, para onde eles irão? Para Brasília, logo, logo. 

O destino dos perdedores, uma secretaria, um ministério (só si fosse para a governadora, a Secretaria da igualdade das mulheres) ou algum cargo (DAS) como prêmio ao bom combate. 

Em geral, um cargo de primeiro ou segundo escalão. Já vi por aqui perdedores ocupando uma simples Coordenação Geral, de alguma coisa. Um Vice Governador e fez um ótimo trabalho. 

Lugar para trabalhar não falta. Mas parece que no Pará sobram quadros. 

Mudando para o outro lado. A expectativa que abre o governo do Jatene é também enorme. As promessas e compromissos são suas principais vitaminas para recuperar o terreno perdido e ganhar musculatura. 

Torcemos para que consiga realizar um bom governo, que dar resposta as maiores demandas da população que, segundo as pesquisas, são de segurança (o paraense quere primeiro seguir vivendo), esgoto, saúde, habitação, educação e emprego. Vontade não deve faltar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Valor da Biodiversidade a ser descoberta

Nagoya, Japão, 3/11/2010 – Por Stephen Leahy, da IPS 

A comunidade internacional finalmente despertou para um dos grandes desafios contemporâneos e chegou a um novo acordo para deter o desaparecimento da natureza que sustenta a vida humana. 

O novo acordo, assinado pelos mais de 190 Estados-membros do Convênio sobre a Diversidade Biológica, inclui o compromisso de reduzir pela metade a proporção de perda de espécies até 2020, bem como o histórico Protocolo de Nagoya de Acesso e Participação nos Benefícios dos Recursos Genéticos. 

No entanto, este despertar só se aplica aos primeiros madrugadores. A vasta maioria continua dormindo, sem consciência de que os seres humanos dependem da variedade de formas de vida que integram o ecossistema e que nos fornecem oxigênio, água, alimentos e combustível. E também sem consciência diante do fato de que a natureza é nossa realidade, enquanto a economia é simplesmente um jogo complicado criado por nós mesmos. O Japão importa mais de 60% de seus alimentos e a maioria dos ecossistemas da Europa foi devastada, restando apenas 17% deles em estado razoável, segundo a primeira avaliação desse tipo. 

O único motivo pelo qual esses países não faliram é que são suficientemente ricos para se ajudarem em matéria de recursos ecológicos e serviços da natureza. “Exploramos os recursos biológicos no exterior, especialmente no Sul. Por isso nós, o povo de Aichi, Nagoya, devemos nos desculpar pela deterioração dos ecossistemas e da biodiversidade que causamos”, afirma um documento público divulgado pela sociedade civil de Nagoya, onde, de 18 a 29 de outubro, aconteceu a 10ª Conferência das Partes (COP 10) do Convênio sobre Diversidade Biológica. Embora o governo japonês não tenha se mostrado disposto a reconhecer publicamente, essa realidade pressionou para que os países participantes chegassem a um acordo apesar da habitual divisão entre o Norte industrializado e o Sul em desenvolvimento.

O conflito central é que as nações do Norte são como biopiratas desesperados, viciados em saquear os ecossistemas mais ricos do Sul em busca de alimentos, matéria-prima e mão-de-obra barata. Cada vez mais, o Sul resiste e busca compensações. E isto implica transformar a economia do crescimento para deter a perda de espécies. Estima-se que anualmente aconteçam entre cinco mil e 30 mil extinções. “O Japão teve um papel central na economia do crescimento. Precisamos passar para uma economia de subsistência”, disse à IPS o professor Kinhide Mushakoji, da Universidade de Economia e Direito de Osaka e um dos organizadores. A petição foi assinada por 156 organizações no Japão. 

Porém, nas negociações formais não se falou dessa virada para uma economia de subsistência. De modo perverso, a atual economia do crescimento levou países como o Japão e muitos europeus a subsidiarem a destruição da pesca marinha com a pesca excessiva, disse Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que administra o Convênio. Promover uma economia verde exigiria investir “US$ 8 bilhões dos estimados US$ 27 bilhões a título de subsídios em zonas como as Áreas Marinhas Protegidas, e cotas de pesca comercial”, disse Steiner na abertura da Conferência. 

Estudos do Pnuma mostram que esse enfoque representa maiores capturas no futuro, elevando a renda das populações locais e garantindo que quase um bilhão de indigentes do mundo tenham acesso a mais proteínas derivadas do pescado. Acabar com esses subsídios é o terceiro dos 20 objetivos estratégicos para até 2020 do acordo, conhecidos coletivamente como Objetivos de Aichi. 

“É necessário frear a perda de biodiversidade até 2020. Isso não pode ser adiado”, disse Mario Tanao, um delegado juvenil e membro da organização japonesa Biodiversity on the Brink. Mario e outros criaram uma rede chamada Global Youth Biodiversity Organisation, que foi oficialmente reconhecida pela secretaria do Convênio ao final da reunião. “Esperamos ter jovens de mais de cem países na próxima COP”, disse Christian Schwarzer, representante juvenil do Fórum Alemão sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 

O governo holandês divulgou na COP 10 uma análise científica segundo a qual frear a perda de biodiversidade mundial até 2050 será extremamente difícil, quando não impossível. E até 2020, absolutamente impossível, disse o diretor do estudo, Maarten Hajer, da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental. 

O estudo de Maarten dá ênfase às principais causas da perda de biodiversidade: agricultura, desmatamento, pesca excessiva e mudança climática, e nas opções que podem ser usadas até 2050 em um mundo que – estima-se – nesse ano terá cerca de nove bilhões de habitantes. Apenas aumentar o tamanho das áreas protegidas para 20% de toda a área terrestre é altamente insuficiente, afirmou. A única esperança é uma combinação de grandes áreas protegidas e uma virada para uma produção e um consumo sustentáveis. 

“Mesmo assim, só poderemos reduzir a proporção de perda de biodiversidade, não detê-la”, disse Maarten à IPS. Segundo Kinhide, “a economia verde é uma solução apenas para aqueles que atuam na economia monetária. Milhares de milhões de pessoas não o fazem”. 

Envolverde/IPS

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pará - Jatene venceu nos maiores colégios eleitorais


O governador eleito Simão Jatene (PSDB) venceu em quatro dos cinco principais colégios eleitorais do Pará, incluindo os três maiores – Belém, Ananindeua e Santarém. Ana Júlia (PT) venceu apenas em Marabá, o quarto maior colégio eleitoral do Pará. Jatene também conquistou a maior votação em Castanhal, que tem o quinto maior eleitorado no Pará.

Em Belém, que representa 20,6% do eleitorado paraense, Jatene obteve 417.748 votos, contra os 334.650 de Ana Júlia. Em termos percentuais, a vitória do tucano foi de 55,52%, índice pouco abaixo da média no estado, de 55,75% (contra os 44,26% de Ana Júlia).

Em Ananindeua, que representa 5,32% do eleitorado paraense, Jatene conseguiu uma vantagem maior: foram 111.828 votos, contra os 84.901 de Ana Júlia. Em termos percentuais, a vitória foi de 56,84% (Ana Júlia recebeu 43,16%).

Em Santarém, o terceiro maior eleitorado do Pará (3,85% do total), o tucano conseguiu sua vitória mais arrasadora. Foram 90.613 votos contra 42.804, com índice de 67,91% da preferência (a candidata petista ficou com 32,09%).

Em Castanhal (2,15% do eleitorado), a vitória de Jatene também foi por ampla vantagem. Ele alcançou 54.089 votos, contra 25.631 de Ana Júlia. Isso representa 67,84% do eleitorado, contra os 32,16% da petista.
Em Marabá (que representa 2,71% do eleitorado paraense), a vitória de Ana Júlia foi um tanto quanto apertada: foram 48.407 votos da petista contra os 44.031 de Jatene. Em termos percentuais, Ana Júlia venceu no município com 52,36% da preferência, diante dos 47,74% de Jatene.

MUNICÍPIOS

Dos 144 municípios paraenses, Simão Jatene venceu em 94, o que representa 65% do total. Nos outros 50 municípios, a vitória foi de Ana Júlia. Em comparação com o primeiro turno das eleições, o resultado traz uma curiosidade: 17 municípios tiveram no segundo turno vencedor diferente do primeiro.

Em cinco municípios (Augusto Corrêa, Bom Jesus do Tocantins, Chaves, Faro e Oriximiná), Jatene venceu depois de ter perdido no primeiro turno. Já Ana Júlia venceu em 12 municípios onde havia perdido antes: Bujaru, Concórdia do Pará, Ipixuna do Pará, Irituia, Moju, Peixe-Boi, Ponta de Pedras, Santana de Araguaia, Santarém Novo, São Francisco do Pará, São João de Pirabas e Xinguara.

Fonte: (Carlos Gondim e Vinícius Passos/DOL)

Veja no infográfico onde foram as vitórias de Jatene e Ana Júlia:


Projetos de inovação tecnológica que podem ganhar dimensão estratégica no Governo Jatene

No que atinge diretamente a área de Ciência e Tecnologia e Inovação, existe uma enorme área que o novo governo pode explorar para contribuir com a verdadeira mudança da base produtiva do Estado, que é fundamental para alcançar uma economia sustentável e competitiva. 

Já existe um importante recurso para essa área, proveniente do BNDES. 

Os recursos estão focados na implantação de Parques tecnológicos e incubadoras de empresas de base tecnológica. Projetos que contribuem com essa mudança da base produtiva, a partir da agregação de valor aos produtos da abundante biodiversidade e os recursos naturais, existentes no Estado.

A UFPA foi pioneira nesse projeto, assumido, depois pelo governo do estado, que deu continuidade, mas o projeto tem história e não é possível negar sua origem. 

Cabe lembrar que esse projeto de implantação de parques tecnológicos não começou no Governo da Ana Julia e sim, em 1992, com a implantação da primeira incubadora de empresas de base tecnológica da região Amazônia. Não é, portanto, um projeto genuinamente petista, como se disse no governo. 

O Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica (PIEBT/UFPA) nasceu na UFPA, junto com o projeto do primeiro parque tecnológico da Universidade, que foi funanciado pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos). 

Depois, a idéia foi replicada na maioria dos estados da Amazônia, através de Rede Amazônica de Incubadoras (RAMI), criada também, na UFPA. A incubadora e o parque tecnológico foi localizado, inicialmente, na UFPA e seu foco inicial, foi a área de biodiversidade, utilizando a biotecnologia como instrumento para transformar espécies da biodiversidade em produtos de alto valor agregado. 

Hoje, com a construção de três parques tecnológicos e incubadoras de empresas, em três pontos ou regiões importantes do Estado. 

Na região metropolitana (UFPA), em Marabá e Santarém, se inicia uma fase importante na nova economia sustentável e mais competitiva no estado. 

A partir desses projetos a idéia consiste em agregar valor local aos abundantes recursos naturais (biodiversidade, mineiros, madeira, frutas, peixes, etc.), fortalecendo as cadeias produtivas do estado. Produzir com inovação tecnológica, esse deve ser o foco do modelo. 

Transferir tecnologia para o setor produtivo. Esse é um dos programas que o governo do Jatene deverá aprofundar. 

Ouvi, pessoalmente,  do governador eleito que assim seria. Falou que hoje, a questão da inovação tecnológica era fundamental para que os produtos da biodiversidade da Amazônia alcancem presença e maior valor nos mercados internacionais. 

E para isso, as cadeias produtivas da biodiversidade seriam fortalecidas. Está tudo para ser feito e o governo, esta vez, pode fazer a diferença. 

Ampliar os recursos para essa área está sendo cada vez mais possível, pela importância da Amazônia, no contexto da nova economia mundial. 

Sabemos como obter esses recursos e conhecemos as entidades que os disponibilizam, bem como, os mecanismos e o passo a passo do caminho a seguir. 

Não podemos esquecer que os recursos existentes no Estado são para a obra civil e implantação dos projetos, falta o mais importante, que não é obra civil, é conhecimento, é capital humano capacitado e sobre tudo, gestão competente para articular o conhecimento da UFPA com a competência instalada na região amazônica e fora da região.

Pergunta para Ana Julia

A pergunta que não quere calar: 

 Ana Julia tu estas trabalhando, no teu governo, para te reeleger ou para eleger um deputado? 

Se for para o segundo, tu não serás reeleita maninha. 

Pergunta feita por alguém muito próximo da Ana Julia. 

Dito e feito, Ana Julia não foi reeleita. 

Nunca antes na história do Pará, foram destinados tantos recursos públicos para a campanha de reeleição de uma candidata ao governo do estado e veja no que deu. Disse-se que o Mercadante, em São Paulo investiu cerca de 40 Milhões de reais na campanha. Mas São Paulo é o Estado mais rico do Brasil, é 40% do PIB e um dos que conta com maior índice de educação do Brasil. A campanha da Ana Julia (a conferir) teria contado com um orçamento parecido e não conseguiu 44% dos votos. 

Quem sabe de outros casos no Brasil que candidatos à reeleição ao governo não tenham conseguido se reeleger? Só a Yeda Crusius (PSDB) do RS. 

E quais as causas pelas que Ana Julia não foi reeleita? 

Muitas explicações e abundantes interpretações. De tudo quanto lado chegam argumentos. 

Dos amigos, aliados de ontem e adversários de hoje. Todos querem falar e se vestem de analistas. Mas, avaliação séria do PT, ainda não teve. 

Só ouvi por aí uma do PT Nacional, que disse que no Pará não perdeu o PT e sim a isolada corrente da DS (Democracia Socialista). 

Ainda mais, segundo essa fonte, A DS, aquela que pensa como Troskysta e atua como direitista, fez muito pouco para mudar na direção aos mais necessitados e, aquilo que fez, não conseguiu difundir, dar a conhecer ao povo das suas ações. 

Ora bolas, uma das grandes virtudes da esquerda revolucionária daqueles tempos, eram as brigadas de AGP (Agitação e Propaganda), copiadas dos partidos de esquerda do mundo tudo. Regra Nº um: saber dizer o que você faz se não, você não fez. 

Nem isso a DS teria apreendido. 

Se a DS era meio troskysta deveria ter absorvido o princípio da descentralização das ações e a centralização do pensamento teórico. Aqui foi ao contrário, centralizaram, nos amigos da corte (o Núcleo Duro), todas as ações e o orçamento e, em contraste, descentralizaram o pensamento. A discussão rolou solta, assim as divergências aumentaram. A mágoa contra Ana Julia se instalou na porta do “Palácio de Inverno” da DS. 

Recentemente ouvi Ana Julia, dizer que o Estado tinha mudado, durante sua gestão, 1000 vezes ou 1000%. Vontade dela, menos, menos. Vamos começar a nivelar as informações, pouco a pouco. Por enquanto o PT não da conta do que fez e não fez, nós vamos falando.