quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Suplicy (PT) e Aloysio (PSDB) batem boca


BRASÍLIA - Os senadores paulistas Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e Eduardo Suplicy (PT) tiveram uma forte discussão no início da reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, na manhã desta quinta-feira, destinada à realização de audiência pública sobre a desocupação de famílias na área da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), no mês passado.

O tucano disse que não permaneceria na audiência pública, por considerá-la uma "operação política" do PT e de alguns "grupelhos pseudo-revolucionários" para atacar o governo de São Paulo, comandando pelo tucano Geraldo Alckmin.

"É um procedimento faccioso, unilateral, que terá como consequência a instrumentalização dessa comissão por um partido político, o PT, e outros grupos ou partidos, como o PSTU, que o PT usa para terceirizar seu radicalismo", disse Aloysio.

O tucano defendeu a ação da Polícia Militar na desocupação de Pinheirinho e disse que o governo agiu em cumprimento de decisão judicial.

Ele criticou líderes comunitários que "armaram um circo" no local e os chamou de "parasitas desses movimentos", que queriam "brincar de insurreição", e de "pseudo revolucionários, prontos para radicalizar".

Afirmou, ainda, que houve "muita mentira" com relação a supostas violências, inclusive sexuais, contra os moradores. "O senador Suplicy conta uma história de  invasão de domicílio onde uma família teria sido vítima de abusos sexuais. Houve, sim, uma batida policial com apreensão de droga e armas. A advogada da família, quando foi à delegacia, não alegou qualquer tipo de violência contra seus clientes."

Aloysio criticou o fato de a audiência pública ter sido marcada para tratar apenas da questão de Pinheirinho, deixando de fora ações policiais de desocupação de Estados governados pelo PT, como Distrito Federal e Bahia.

Suplicy reagiu com voz alterada, demonstrando muito nervosismo. Concordou com a discussão sobre os outros Estados, mas defendeu a realização de uma reunião só para tratar de Pinheirinho, dada a "complexidade" do que ocorreu.

O petista disse que o colega tucano sabia que hoje seria discutido apenas o caso de São Paulo e o safiou  a permanecer e ver o vídeo sobre a ação policial.

"Queira o senador Aloysio ter a dignidade de ver essas cenas demonstrando a violência ocorrida. (...) Ele aqui veio dizer que não é verdade. Quero que ele ouça. Ou os ouvi e achei tão relevantes. Convido-o a estar aqui e não abandonar a comissão. E eu também estarei aqui, quando forem discutidos outros casos", disse Suplicy.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), que está presidindo a reunião, tentou pacificar os ânimos e marcou para a próxima segunda nova audiência pública sobre outros casos. Diante disso, Aloysio concordou em permanecer e Suplicy foi cumprimentá-lo, "para restabelecer a relação". O vídeo foi exibido e em seguida a comissão ouviu a primeira testemunha.
(Raquel Ulhôa/Valor)

Brasil acanhado frente à Rio+20


Muito se contradisse o negociador-chefe do Brasil para a Rio+20, embaixador André Corrêa do Lago, ao responder às excelentes perguntas da repórter especial do Valor Daniela Chiaretti (16/2, p. A13). Ele ressaltou que há 20 anos ninguém podia imaginar que a Convenção do Clima se tornaria a principal negociação econômica no mundo. Mesmo assim, rechaçou a hipótese de que a cúpula de junho tenha ênfase ambiental. Pior: serviu-se da conhecida parábola dos "três pilares" contra o terceiro princípio da Declaração do Rio: o de equidade entre necessidades desenvolvimentistas e ambientais.

Se ele mesmo diz que um tema eminentemente ambiental, como é a questão climática, acabou por gerar a principal negociação econômica do mundo, não deveria ao menos enxergar vasos comunicantes entre supostos "três pilares"?

Quando John Elkington lançou essa metáfora para sensibilizar executivos de multinacionais, ele se referia a lucro, gente e planeta, termos que em sua língua começam pela letra "p": "profit", "people" e "planet" (ver resenha do clássico de Elkington no Valor de 27/09/2011, p. D10). Não tinha como imaginar que, quinze anos depois, seu insight seria usado para se vender a ladainha de que as sociedades se apoiariam em três pilares distanciados e paralelos.

País deveria defender igualdade na cúpula voltada a "repensar o 
desenvolvimento" do mundo

Muito antes da emergência do ideal da sustentabilidade, já se mostrava impossível separar o econômico do social e vice-versa. Além disso, quando se evoca o processo de desenvolvimento, não é possível ignorar a importância crucial de ao menos três outras esferas: política, cultural e psicológica. Boa pedagogia faz com que sejam evitadas em treinamentos empresariais, já que seu objeto não é o conjunto da sociedade.

E se o truque for rebater tal crítica com a chicana de que todas as outras esferas seriam partes da dimensão social, então fica muito mais grave o problema da conexão que a economia mantém com a biosfera (ambiente), ambas reagindo a uma incomensurável imensidão que seria o "social". Enfim, por ser todo o alicerce do desenvolvimento humano, o ambiente não pode ser retoricamente rebaixado a mero fator de um trinômio.

Mesmo supondo-se que as dimensões do desenvolvimento sustentável pudessem ser reduzidas aos três pilares dos negócios, eles não seriam assimiláveis a pilotis de um prédio. Nesse reducionismo, a metáfora precisaria realçar o caráter poroso das intersecções. Afinal, os supostos "pilares" da sociedade são atravessados por fluxos que permanentemente se misturam. Uma osmose que torna a integração dos vetores de desenvolvimento o nó górdio do processo.
Ora, é exatamente essa integração que deveria demover o Brasil de assumir na preparação da Rio+20 o positivismo dos "três pilares". Essencialmente porque é o combate às desigualdades - tanto entre as nações (eufemisticamente chamadas de "assimetrias"), quanto nacionais (principalmente, mas não apenas de renda) - que dá a liga do desenvolvimento sustentável, seja quantos forem seus imaginários "pilares". Como as mais cruciais desigualdades são reproduzidas antes de tudo por razões ideológicas, o Brasil não deveria enfiar essa viola no saco.

Mas há outra revelação igualmente chocante na entrevista de nosso "sherpa": explícita afinidade com comportamento dos EUA, em contraposição ao da Europa, alvo de sistemática e repetida desqualificação.

Não é razoável que, quatro meses antes da abertura de tão relevante conferência, o governo anfitrião se mostre alinhado a algum dos polos, por mais direito que tenha em discordar de outros. Ainda mais deplorável, neste caso, é se aceitar que o tema da "governança internacional do desenvolvimento sustentável" se restrinja ao conflito norte-transatlântico sobre a eventual criação de mais uma agência especializada da ONU (a 16ª!) e de uma reforma de seu Conselho Econômico Social (Ecosoc).

Falando sério: poderá haver governança do desenvolvimento sustentável se ela não for assumida pelo G-20 (que inclui o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial)? Sem isso, será que ela poderia chegar à OMC e a poderosas instâncias do sistema das Nações Unidas que não respondem ao Ecosoc? Ou será que o desenvolvimento sustentável seria capaz de adquirir governança global sem engajamento da Corte Internacional de Justiça e, sobretudo, dos órgãos subsidiários do Conselho de Segurança?

Com certeza no final de junho sairá do Rio algum tipo de "upgrade" da sustentabilidade na hierarquia da ONU. Mas isso será, na melhor das hipóteses, um modestíssimo avanço na direção de sua efetiva governança global. Em tais circunstâncias, seria bem melhor se o Brasil aproveitasse a incomparável oportunidade histórica de ser o anfitrião de uma cúpula voltada a "repensar o desenvolvimento do mundo" (sic), para reerguer a bandeira branca da igualdade, em vez de se deixar levar a reboque em disputas sobre Ecosoc e programa ambiental (Pnuma). Mais: se mantivesse a altivez de não aderir ao polo que mais tem resistido à bandeira da sustentabilidade, nem rejeitar justamente o polo que mais se mostra disposto a levá-la a sério.


José Eli da Veiga é professor dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). Escreve mensalmente às terças e excepcionalmente nesta quinta.


CNBB critica corte de recursos da saúde


O baixo financiamento federal da saúde no país e o corte de R$ 5,4 bilhões no Orçamento de 2012 do Ministério da Saúde, anunciado na semana passada, foram alvo de críticas da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), que lançou ontem a campanha da fraternidade deste ano, com o tema da saúde. "Não é exagero dizer que a saúde pública no país não vai bem", afirmou dom Leonardo Steiner, secretário-geral da entidade, sentado ao lado do ministro Alexandre Padilha [Saúde].

Dom Leonardo classificou como "preocupante" o corte dos R$ 5,4 bilhões e como "frustrante" a aprovação da Emenda 29, em 2011, sem ampliação dos gastos federais em saúde - algo que parte dos parlamentares quis aprovar, mas foi barrado pelo Planalto.

"Os problemas verificados na área da saúde são reflexo do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, que não tem, muitas vezes, como horizonte, os valores ético-morais e sociais", afirmou dom Leonardo.

E completou: "O senhor ministro [Padilha] que aqui está deve também concordar comigo, porque nós já conversamos sobre essa necessidade, e é uma das grandes preocupações do senhor ministro."

Outras críticas foram feitas durante o evento, como a falta de investimento em novas tecnologias e a terceirização dos gastos em saúde. O texto da campanha compara os gastos da saúde no Brasil com o de alguns países em que 70% do que é dispendido na área vêm do governo e 30%, do contribuinte. Já no Brasil, em 2009, o governo foi o responsável por 47% (R$ 127 bilhões) dos recursos aplicados na saúde, enquanto as famílias gastaram 53% (R$ 143 bilhões).
Padilha afirmou que o corte dos R$ 5,4 bilhões não vai atingir nenhum programa do ministério e que o contingenciamento está dirigido às emendas parlamentares, acrescidas ao Orçamento original do governo. "Tudo o que estava programado pelo Ministério da Saúde e foi encaminhado para o Congresso está absolutamente mantido."

O ministro disse que, neste ano, a saúde terá orçamento 17% maior que em 2012, R$ 72 bilhões. "O aumento de R$ 13 bilhões é o maior aumento nominal que já existiu de recursos para a saúde de um ano para o outro, desde 2000. O meu papel como ministro não é ficar esperando os recursos virem, mas, sobretudo, fazer mais com o que temos."

No texto-base da campanha, a CNBB expõe as grandes preocupações da Igreja com relação à saúde pública, como a humanização do atendimento aos pacientes e o financiamento da saúde pública, classificado pela confederação, como "problemático e insuficiente". A entidade critica ainda a escassez de recursos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo Padilha, o debate sobre o financiamento da saúde continua e será mais amplo com o apoio da campanha da fraternidade. O ministro agradeceu a escolha do tema e disse que será positivo que a sociedade discuta o "SUS real", que abraça também "a baixa qualidade de atendimento, às vezes da falta de compromisso, às vezes da omissão de atendimento".
No entanto, segundo dom Leonardo, a Igreja reconhece também alguns avanços na área, como a redução da mortalidade infantil, a erradicação de algumas doenças infecto-parasitárias e o aumento da eficiência da vacinação e do tratamento da aids. "São significativos os avanços verificados nas últimas décadas na área da saúde pública."

Segundo o membro do Conselho Nacional de Saúde Clóvis Boufleur, a campanha da fraternidade pretende efetivar a participação de conselhos estaduais e municipais de saúde. Entre os temas que serão debatidos nos conselhos, está a violência, a obesidade e a gravidez na adolescência. "A violência dentro de casa se transformou em um problema de saúde.

A partir dos 4 anos de idade, os acidentes e a violência são as principais causas de mortes de crianças e jovens." (Com agências noticiosas)

Gestão de Kassab e Serra é única, diz secretário de Finanças

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), e seu antecessor, José Serra (PSDB), fizeram uma gestão única, sem que houvesse mudanças de prioridades entre os dois governos. É difícil separar o que cada um fez e Serra atuou como um “prefeitão” da capital paulista, mesmo quando deixou o cargo para Kassab, em 2006, e assumiu o governo do Estado. Essa é a análise do secretário de Finanças da capital, Mauro Ricardo Costa, homem forte do governo Kassab, ligado ao ex-prefeito e ex-governador tucano.

“É difícil separar o que é um e o que é outro”, diz Mauro Ricardo. “As pessoas por vezes criticam o Serra por ter saído antes do fim do mandato da prefeitura, mas ele passou a ser o grande prefeitão da cidade”, afirma o secretário.

Em entrevista ao Valor, Mauro Ricardo diz que Kassab chega ao último ano de seu segundo mandato com R$ 4,3 bilhões previstos para investimentos, 72% a mais que o aplicado em 2011. O valor pode chegar até R$ 6 bilhões, caso a estratégia da prefeitura para elevar as receitas com fontes extraordinárias de recursos seja cumprida no ano eleitoral.

O prefeito, disputado pelo PT e PSDB, deve tirar do papel propostas antigas para reforçar a receita — e os investimentos — no ano eleitoral, como a alienação de debêntures lastreadas nas dívidas do Programa de Parcelamento Incentivado (PPI). Somente essa medida deve gerar R$ 500 milhões. Segundo o secretário municipal de Finanças, a prefeitura conta ainda com mais R$ 1,3 bilhão já em caixa para ser aplicado em obras de melhoria na cidade dentro do programa Operações Urbanas.

Leia a entrevista completa na edição desta quinta-feira do Valor.

(Marta Watanabe e Cristiane Agostine | Valor)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Qualquer semelhança é so coincidência, mas não é Brasil



SISTEMA EDUCATIVO EN JAPON

 
Para ponerse a pensar: ¿Vale la pena continuar con obsoletos modelos educativos... o uno debe ser un ciudadano del mundo sin sectarismos donde la globalización sea inclusiva?

Se esta probando en Japon, un revolucionario plan piloto llamado Cambio Valiente (Futoji no henka)

Basado en los programas educativos Erasmus, Grundtvig, Monnet, Ashoka y Comenius

Es un cambio conceptual que rompe paradigmas.
Es tan revolucionario que forma a los niños como Ciudadanos del mundo no como japoneses.

·         En esas escuelas no se rinde culto a la bandera, no se canta el himno, no se vanagloria a heroes inventados por la historia.
·         Los alumnos ya no creen que su pais es superior a otros por el solo hecho de haber nacido alli­.
·         Ya no iran a la guerra para defender los intereses economicos de los grupos de poder, disfrazados de patriotismo.
·         Entenderan y aceptaran diferentes culturas.
·         Y sus horizontes seran globales, no nacionales.

Imaginese que ese cambio se esta dando en uno de los pai­ses mas tradicionalistas, nacionalistas y machistas del mundo!

El programa de 12 años, esta basado en los conceptos:

·         Cero patriotismo.
·         Cero materias de relleno.
·         Cero tareas.
·         Y Solo tiene 5 materias, que son:

1.  Aritmetica de Negocios.  Las operaciones basicas y uso de calculadoras de negocio.
2.  Lectura con profunda comprension de la misma. Empiezan leyendo una hoja diaria del 
libro que cada niño escoja, y terminan leyendo un libro por semana.
3.  Civismo. Pero entendiendo el civismo como el respeto total a las leyes, el valor civil, la etica, el respeto a las normas de convivencia, la tolerancia, el altruismo, y el respeto a la ecologi­a.
4.  Computacion. Office, internet, redes sociales y negocios on-line.
5.  4 Idiomas, Alfabetos, Culturas y Religiones: japonesa, americana, china y arabe, con visitas de intercambio a familias de cada paí­s durante el verano.

¿Cual sera la resultante de este programa?
 
Jovenes que a los 18 años hablan 4 idiomas, conocen 4 culturas, 4 alfabetos y 4 religiones.

·         Son expertos en uso de sus computadoras.
·         Leen 52 libros cada año.
·         Respetan la ley, la ecologi­a y la convivencia.
·         Manejan la aritmetica de negocios al dedillo.

¿Contra ellos van a competir nuestros hijos?
,

·         Jovenes que medio hablan español u otro idioma natal solo a medias (pura jerga wey)
·         Tienen pésima ortografia (i komo ke esta weno esto wey)
·         Pero que si se saben los nombres de los artistas de farándula o la fórmula de las drogas.
·         Apenas pueden memorizarse unos cuantos verbos en inglés u otro idioma que pretenden aprender.
·         Son expertos en copiar los exámenes de historia, filosofi­a, matemáticas, biologi­a, fi­sica y muchas otras asignaturas que solo quedan en

TEORIA PURA  que RARA VEZ LE SERAN UTILES EN SU VIDA PERSONAL O PROFESIONAL.

Aí é que acabam os princípios do PT e a sigla assume sua verdadeira identidade

Partido de Kassab 'possui' 5 milhões de votos, diz TSE

Montante foi obtido em 2010 por políticos que, no ano seguinte, foram para o PSD
Número é argumento da legenda para pleitear mais recursos do Fundo Partidário e ampliação do tempo de propaganda 

O prefeito Gilberto Kassab brinca com garoto durante vistoria em obras da região da cracolândia, em SP

Rivaldo Gomes/Folhapress

Estudo do Tribunal Superior Eleitoral aponta que o PSD (Partido Social Democrático) reúne políticos que disputaram vagas de deputado federal em 2010 e receberam 5,1 milhões de votos.

A legenda seria a sétima maior do país se existisse à época da última eleição.

Esse dado será considerado para que o TSE conceda ou não à agremiação acesso ao dinheiro do Fundo Partidário, uma das maiores fontes de receita das siglas.

Idealizado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD recebeu seu registro definitivo no ano passado. Como nunca disputou uma eleição, tem direito apenas a uma parcela mínima do fundo (R$ 18,5 mil por mês) e alguns segundos do tempo de TV e de rádio durante eleições.

O partido tenta reverter a situação na Justiça Eleitoral. Se tiver sucesso, passará a receber cerca de R$ 1,6 milhão por mês do Fundo Partidário -calculado de acordo com o número de votos obtidos por candidatos a deputado federal (eleitos e não eleitos).

Em seguida, o PSD entrará com uma ação para também obter o tempo de TV, nesse caso com base no número de deputados eleitos.

A tese do partido de Kassab é simples. O TSE criou em 2007 a norma da fidelidade partidária: mandatos eletivos passaram a pertencer aos partidos. A partir daí, quem se desligou de uma legenda correu o risco de perder o cargo.

Mas há exceções. Uma delas é que o político pode deixar uma sigla para fundar uma nova. "Se a própria Justiça diz que um político pode sair do partido pelo qual foi eleito e fundar um novo, parece natural que esse político leve consigo os votos que obteve", diz o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz.

De 2007 para cá, pós-regra da fidelidade partidária, só duas agremiações foram criadas -o PSD e o PPL (Partido Pátria Livre). Apenas o PSD teve uma adesão expressiva de políticos.
Enquanto o PPL não tem representantes no Congresso, o PSD atraiu 52 deputados federais (10% da Câmara).

A legenda do prefeito de São Paulo apresentou em novembro uma ação ao TSE pleiteando uma parcela maior do Fundo Partidário. Agora neste mês conseguiu que o tribunal fizesse o cruzamento de todos os filiados à sigla com a lista de candidatos a deputado federal em 2010.
A tabela mostra que o PSD subtraiu votos de 20 agremiações, inclusive do PT.

Mas quem mais sofreu foi o DEM, ex-partido de Kassab, cujo total de votos para deputado federal caiu de 7,3 milhões para 5,1 milhões.

O DEM classificou-se como o quinto maior partido em número de votos para deputados em 2010. Com a chegada do PSD, caiu para oitavo. Os votos perdidos pelos democratas representam 42,8% da "votação" da sigla de Kassab.

O PP perdeu 422 mil votos, e é o segundo mais afetado. Em seguida, vêm PMDB (perda de 301 mil votos), PDT (menos 208 mil votos) e PSDB (189 mil votos).

Não há prazo para que o TSE decida. O advogado do partido, Admar Gonzaga, espera que isso ocorra antes de junho, quando os partidos fazem suas convenções para a escolha de seus candidatos.

Se tiver sucesso na ação por mais dinheiro do fundo, o PSD entrará com pedido para que a mesma regra seja aplicada para efeito de tempo de propaganda no rádio e na TV. "Essas questões são irmãs siamesas. Se uma for aceita pelo TSE, a outra naturalmente o será", diz Saulo Queiroz.

 FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Dilma e a crise global



O Brasil está vacinado contra o neoliberalismo, ela nos disse; Dilma teme, porém, que a crise mundial torne agências de risco mais importantes do que o povo 


"A senhora, presidenta Dilma, foi corajosa ao escolher participar do Fórum Social Temático de Porto Alegre e não do Fórum Econômico de Davos", disse João Pedro Stédile, do MST, no encontro da presidente com os organizadores do fórum, na capital gaúcha, no fim de janeiro.
Pouco antes, Dilma Rousseff recebeu Leonardo Boff, sua mulher, Márcia Miranda, e a mim.
Boff manifestou ceticismo diante do texto da ONU para a Rio+20, que reunirá na capital carioca, em junho, chefes de Estado e a Cúpula dos Povos, evento da sociedade civil.

O "esboço zero", o texto da ONU, é inconsistente. Ele fala em pobreza, mas evita abordar a desigualdade social. Ele alardeia também a "economia verde". Trata-se de mera falácia para evitar atacar a principal causa da devastação ambiental: o atual modelo predatório de desenvolvimento, baseado na prevalência da riqueza privada sobre os direitos humanos e os direitos da mãe terra.

Às vésperas da viagem da presidente a Cuba -além disso, o papa irá em março ao país-, aproveitei para fazer uma breve análise da conjuntura cubana, que passa por mudanças substanciais.

No encontro da presidente com 70 líderes de movimentos sociais, enfatizou-se o repúdio às mudanças no Código Florestal, aprovadas no Senado. Reivindicaram-se o veto à anistia aos produtores rurais responsáveis por crimes ambientais, a não redução da reserva legal e a exigência de desmatamento zero. Ao responder, Dilma disse que o Código Florestal "não será o dos sonhos dos ruralistas".

Dilma frisou que representa um projeto de governo, iniciado pelo ex-presidente Lula, cujo objetivo é reduzir a desigualdade social e imprimir qualidade aos serviços públicos, em especial à saúde, à educação e à habitação.

Acrescentou que, após o fracasso de governos anteriores e tendo em vista a crise europeia, "o Brasil está vacinado contra o neoliberalismo".

Para a presidente, só foi possível tirar da pobreza 40 milhões de brasileiros nos últimos nove anos graças ao modelo de desenvolvimento sustentável que combina crescimento econômico com distribuição de renda.

Neste momento, enquanto na Europa acontece uma "perda de direitos sociais" e a adoção de ajustes fiscais, declarou Dilma, o Brasil (país para o qual Davos olhou com uma ponta de inveja) adota uma política de subsídios a direitos fundamentais, como o acesso à moradia, e combina transferência de renda com qualificação dos serviços públicos.

Dilma considerou "uma barbárie" a desocupação das 1.700 famílias de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), e manifestou a esperança de que a Rio+20, sobretudo através da Cúpula dos Povos, apresente à crise global um novo paradigma, "um outro mundo possível".

Alertou ainda que o pós-neoliberalismo não pode coincidir com a pós-democracia.

Manifestou, assim, o temor de que medidas tomadas para superar a crise financeira mundial "torne as agências de risco econômico mais importantes do que os povos que elegeram seus governantes".

CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, 67, o Frei Betto, frade dominicano, é escritor, assessor de movimentos sociais e autor de "A Arte de Semear Estrelas" (Rocco)
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Rio+20 deveria lançar “novo PIB” sugerem cientistas



NAIRÓBI - A Rio+20, a conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável que acontece no Rio, em junho, deveria dar impulso a uma ideia que vem circulando pelo mundo há mais de 20 anos: encontrar um novo indicador para o bem-estar das nações que não seja o Produto Interno Bruto, o PIB.

Essa é uma das recomendações de um estudo que reúne 20 vencedores do Blue Planet Prize, conhecido como o Nobel do ambiente. Dezesseis são pessoas com trabalho reconhecido internacionalmente (a norueguesa Gro Harlem Brundtland, o americano James Lovelock, o britânico Nicholas Stern) e quatro são organizações ou institutos de ciência que trabalham com desenvolvimento ou ambiente, como o inglês IEED, o Barefoot College, a ONG Conservation Internacional e a International Union for the Consevation of Nature (IUCN).Entre os autores está o brasileiro José Goldemberg, com três artigos.

O estudo foi lançado ontem, em Nairóbi, no Quênia, na sede do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Nesta semana, acontece na cidade uma reunião com 1.500 delegados de mais de 190 países e ministros do meio ambiente de todas as partes do mundo. É a última reunião ministerial antes da Rio+20.

“Os governos deveriam reconhecer imediatamente as sérias limitações do PIB como uma medida de atividade econômica e complementá-la com indicadores que integrassem as dimensões econômica, social e ambiental”, diz o estudo.
“Se um país destrói toda a sua floresta, terá rapidamente um PIB muito alto, mas não se terá medido o incrível ativo natural que ele perdeu e que fará o futuro muito mais incerto”, explica a economista Camila Toulmin, diretora do IIED. “Se você viver em uma sociedade mais violenta, onde é preciso gastar muito com polícia e armas, o PIB será alto, mas isso significa que aquela sociedade está melhorando seu padrão de vida?”.

O atual sistema energético, muito dependente de combustíveis fósseis, é outro problema apontado pelos cientistas. A necessidade de reverter a curva ascendente de emissões de gases-estufa, que continua em elevação a despeito da crise econômica global, é mais um ponto levantado pelo estudo. “Os compromissos atuais que existem hoje estão levando o mundo a um aumento de 3 graus na temperatura, com sérios riscos de chegar a mais 5 graus”, diz Bob Watson, o conselheiro científico-chefe do DEFRA, o ministério britânico de ambiente. “Mais 5 graus é uma temperatura que o planeta não registra há mais de 30 milhões de anos”, disse ele a uma plateia de políticos e diplomatas reunidos na sede do Pnuma.

O estudo menciona também as perdas massivas de biodiversidade – “sem precedentes nos últimos 65 milhões de anos” – e a necessidade de se ampliar os programas de capacitação e treinamento como foco nos políticos, formadores de opinião e homens de negócio.
O trabalho será entregue aos ministros dos vários países antes da Rio+20, para inspirar as decisões que serão tomadas no Rio de Janeiro, em junho.

(Daniela Chiaretti | Valor)
A jornalista viajou a Nairóbi a convite do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (Pnuma).

Brasil, País da Banda Larga (by @Paulo Bernardo)



O gato subiu no telhado