Amazônia, meio ambiente, ecologia, biodiversidade, desenvolvimento sustentável, ciência e tecnologia, incubadoras e parques tecnológicos, política nacional e internacional - Amazonia, the environment, ecology, biodiversity, sustainable development, science and technology, incubators and technology parks, national and international policy
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Plebiscito do dia 11 opõe Belém a interior
Às vésperas do plebiscito que verificará, no próximo dia 11, a opinião dos moradores do Pará sobre o desmembramento do Estado em até três partes, a população paraense já está, na prática, dividida. Enquanto na capital, Belém, vozes contrárias à separação predominam, no sul e no oeste do Estado, onde podem ser criados respectivamente os Estados de Carajás e Tapajós, muitos defendem o desmembramento.
A campanha contrária à divisão diz que a medida empobreceria o que restasse do Pará e só beneficiaria políticos dos novos Estados; já os partidários da separação afirmam que ela facilitaria a gestão de regiões muito distantes da atual capital e ampliaria os recursos destinados a essas áreas.
Se levada a cabo, a divisão reduziria o Pará a 17% de seu território, segundo estudo do Idesp (Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará), autarquia ligada ao governo estadual. Porém, o Estado conservaria 64% de sua população, de cerca de 7,5 milhões de habitantes.
Tapajós e Carajás, por sua vez, ocupariam 59% e 27% da área do Estado e abrigariam 15% e 21% de sua população, respectivamente.
Segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada no último dia 25 de novembro, mais de 60% dos moradores do Pará rejeitam a divisão do Estado. O “não” tem o apoio de mais de 80% dos moradores do que restaria do Pará, ao passo que a separação é defendida por 78% dos habitantes de Carajás e 74% dos residentes em Tapajós.
Caso seja criado, Tapajós teria quase metade de seu território ocupado por reservas indígenas ou florestais, incluindo a região do Xingu, onde o governo pretende construir a usina hidrelétrica de Belo Monte.
O Estado do Carajás, de ocupação mais recente, teria a mineração como principal atividade econômica – hoje, a Vale explora na região a maior jazida de minério de ferro do mundo, em Paraupebas. No plebiscito, em 11 de dezembro, os moradores do Estado terão de opinar separadamente sobre a criação de cada uma das unidades.
PRÓXIMOS PASSOS
Se a proposta for aprovada, a Assembleia Legislativa do Pará terá de elaborar e votar um parecer sobre o assunto, que será encaminhado ao Congresso.
A proposta, então, seria submetida a senadores e deputados e precisaria ser aprovada com maioria absoluta em ambas as Casas. Em seguida, caberia à presidente Dilma Rousseff sancionar ou vetar a medida.
Separatistas citam exemplo do Tocantins
Líder do movimento pela separação de Carajás e cotado como candidato ao governo do Estado em caso de secessão, o deputado Giovanni Queiroz (PDT) diz se inspirar no desmembramento do Estado de Goiás, que deu origem ao Tocantins, em 1988. Segundo ele, a divisão permitiu que o Tocantins aprimorasse sua gestão e reduzisse seu índice de miséria de 56% para 23%.
Queiroz afirma ainda que, antes da divisão, Tocantins tinha só 100 km de estradas estaduais asfaltadas. “Hoje, são mais de 6 mil km. O Pará tem cinco vezes o tamanho de Tocantins, cinco vezes a população de Tocantins, e só 4.800 km de rodovias estaduais pavimentadas.”
Para o deputado federal Lira Maia (DEM), que chefia a frente pela separação de Tapajós, a divisão resultaria em maiores repasses de verbas federais aos novos Estados. Maia afirma ainda que o movimento pela separação de Tapajós é uma aspiração histórica da região, existente há 150 anos, e que visa garantir que ela explore todo o seu potencial econômico.
Segundo ele, a região tem mais de 1 milhão de hectares que poderiam ser aproveitados pela agropecuária sem prejuízo ambiental e almeja se tornar um polo turístico, por abrigar algumas das áreas mais exóticas e preservadas da floresta amazônica.
Maia rejeita o argumento de que a criação de dois Estados favoreceria desproporcionalmente a região Norte no Congresso, já que resultaria na criação de três cadeiras no Senado para cada nova unidade.
“São Paulo tem hoje 70 deputados federais, muito mais do que todos os Estados da Amazônia, que têm 56. E a Amazônia, com todo o incômodo que causa ao mundo, precisa ter mais representatividade.”
“Parazinho” teria suas riquezas subtraídas
Já o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB), líder do movimento contrário à separação, afirma que a mudança prejudicaria o novo Estado do Pará.
“O Pará viraria o ‘Parazinho’, com todas as suas riquezas subtraídas”, afirma. O argumento ecoa pelas ruas de Belém: dezenas de moradores da cidade consultados sobre o plebiscito pela BBC Brasil citaram a perda de recursos como um dos principais motivos para votar “não”.
Coutinho diz ainda que, ao contrário do que argumentam os partidários da divisão, a medida não melhoraria a gestão das regiões. “Se tamanho reduzido gerasse eficiência administrativa, Alagoas seria sinônimo de eficiência. E não é.”
Segundo ele, “a divisão atende a meia dúzia de políticos com pretensão de se tornarem governadores, senadores e deputados e que não o conseguem.”
Embora admita a necessidade de intensificar os investimentos no interior do Estado, ele atribui a distribuição insuficiente de receitas ao modelo tributário brasileiro, que desonera exportações.
Hoje, graças a suas reservas minerais, o Pará é o segundo Estado que mais contribui com as exportações brasileiras. No entanto, como a lei Kandir, de 1996, isenta da cobrança de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) produtos voltados à exportação, a atividade rende poucas receitas aos cofres do Estado, segundo Coutinho.
Ele afirma que, em 2010, a mineração gerou R$ 330 milhões ao Estado; caso a cobrança de ICMS incidisse sobre a atividade, ele calcula que os valores somariam R$ 1,580 bilhão.
(Diário do Pará)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
A Presidenta demorou, mas fez faxina. Assunto encerrado.
Paulinho acusa PT de organizar demissão de Lupi
BRASÍLIA –
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) afirmou que integrantes do
PT teriam organizado a demissão do ex-ministro do Trabalho e presidente
licenciado do PDT, Carlos Lupi. “Tem gente do PT que ajudou a organizar
essa saída do ministro Lupi”, disparou. O presidente da central Força
Sindical atacou a postura dos aliados. “A gente acha estranho que
aliados possam fazer o que fizeram com o ministro Lupi”, disse.
Um dos líderes informais da sigla no Congresso, o parlamentar também disse que conselheira Marília Muricy, relatora do caso Lupi na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, teria sido influenciada para pedir a saída do pedetista. “Não tenho nem dúvida de que foi. Porque ela era secretária do Jaques Wagner [governador petista da Bahia] e no outro dia, o Jaques Wagner passou por aqui”, disse. Na semana passada, a conselheira disse que “os fatos apontam para o acerto de nossa decisão e para a desnecessidade de modificá-la”, afirmou. O relatório que recomendou a exoneração de Lupi foi aprovado por unanimidade pelo colegiado da comissão.
Paulinho reprovou uma possível indicação de um nome ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) para a vaga no ministério. “Eu acho que não sei se ela [presidente Dilma] vai decidir o Ministério do Trabalho por central sindical. Eu tenho recebido ligações de praticamente todas as centrais, menos da CUT, dizendo que não gostariam que esse ministério fosse pra mão da CUT”, apontou.
(Daniela Martins / Valor)
Um dos líderes informais da sigla no Congresso, o parlamentar também disse que conselheira Marília Muricy, relatora do caso Lupi na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, teria sido influenciada para pedir a saída do pedetista. “Não tenho nem dúvida de que foi. Porque ela era secretária do Jaques Wagner [governador petista da Bahia] e no outro dia, o Jaques Wagner passou por aqui”, disse. Na semana passada, a conselheira disse que “os fatos apontam para o acerto de nossa decisão e para a desnecessidade de modificá-la”, afirmou. O relatório que recomendou a exoneração de Lupi foi aprovado por unanimidade pelo colegiado da comissão.
Paulinho reprovou uma possível indicação de um nome ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) para a vaga no ministério. “Eu acho que não sei se ela [presidente Dilma] vai decidir o Ministério do Trabalho por central sindical. Eu tenho recebido ligações de praticamente todas as centrais, menos da CUT, dizendo que não gostariam que esse ministério fosse pra mão da CUT”, apontou.
(Daniela Martins / Valor)
domingo, 4 de dezembro de 2011
Agora a culpada é UNICEF
Agência Brasil
A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, contestou hoje (2) o resultado do relatório Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre a situação dos adolescentes no Brasil. Segundo ela, a população de adolescentes extremamente pobre no Brasil diminuiu, o contrário dos dados da Unicef. “Temos hoje menos jovens entre 12 anos e 17 anos pobres e extremamente pobres do que tínhamos em 2004”.
O relatório Situação da Adolescência Brasileira 2011, divulgado na última quarta-feira (30) pelo Unicef aponta o crescimento do percentual de adolescentes brasileiros de 12 anos a 17 anos que vivem em famílias de extrema pobreza (até um quarto de salário mínimo per capita). Segundo o documento, entre 2004 e 2009, o percentual passou de 16,3% para 17,6%. No mesmo período, a situação de extrema pobreza da população em geral caiu de 12,4% para 11,9%.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Solução: Repetir a prova da UEPA
‘Prova da Uepa é malfeita’, ataca químico
O coordenador de Química do Sistema de
Ensino e da Faculdade Universo, professor Robson da Silva Gurjão disse
nesta quinta-feira (1º), em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, que “a banca
não tem preparo para elaborar as questões de Química” do vestibular da
Universidade do Estado do Pará (Uepa). Segundo ele, as questões “são
mal-elaboradas e as respostas equivocadas”.
Depois de denunciar um erro na prova de
Química da primeira etapa do vestibular 2012 daquela instituição, que
foi anulada, Gurjão voltou a apontar novos erros, nas questões 54 e 55
da prova da segunda etapa, realizada na última segunda-feira.
SEM RELAÇÃO
A questão 54 compara medidas diferentes,
como KJ (energia química), com mol (unidade de matéria), que seria o
mesmo que comparar quilômetros com quilo, por exemplo, segundo o
professor. A questão 55, segundo ele, também está “mal-elaborada”, com
“erros da banca”.
Segundo o professor - que é engenheiro
químico, com licenciatura plena, especialista e mestre em Química
Analítica e doutor em Físico-Química - desde 2009 ele vem corrigindo
erros de questões de Química da Uepa e pede para se reunir com a banca
para um debate a respeito do assunto, mas só recebe “cartinhas que
concordam ou discordam”.
Gurjão afirma que a universidade já
entrou em contradição ao tentar corrigir erros como a afirmação de que o
raio do ferro é maior do que o do magnésio, em 2009, e depois afirmar
que é o magnésio tem raio maior do que o ferro, em 2011.
“Em 2007 a Uepa montou uma pilha com uma
“lâmina” de mercúrio e já mandaram medir o volume do ácido sulfúrico
(que é um líquido e não um gás)”.
Tais erros já teriam levado colegas seus de outras universidades do país a fazerem chacota com os químicos do Pará.
Gurjão afirma que “não é babá para
servir de revisor deles” e que cansou de escrever cartas para a
instituição. Ele também afirma que “não existem duas químicas”,
discordando da explicação de que as questões se referem a uma química
para o ensino médio.
GABARITOS
A Diretoria de Acesso e Avaliação da
Uepa divulgou ontem os gabaritos oficiais referentes à 1ª. etapa do
Prosel e do Prise - Subprograma XV e à 2ª. etapa do Prosel e do Prise -
Subprograma XIV, realizadas nos dias 27 e 28 de novembro,
respectivamente. Duas questões foram anuladas na primeira prova: a de
número 34, de Matemática, e 43, de Química. Da segunda prova, foi
anulada a questão 36, de Física.
Em nota divulgada pela Agência Pará,
explica a Uepa que o espaço entre a divulgação dos gabaritos preliminar
(liberado horas após a realização dos exames) e oficial “respeita uma
imposição do edital dos Processos Seletivos 2012, que garante a
possibilidade de candidatos, professores, colégios e cursinhos entrarem
com recursos para revisão de questões do certame.”
Uepa diz que há abertura a reclamações
A coordenadora da Assessoria de
Comunicação da Uepa, Marcela Conde, disse que a posição do professor
Robson Gurjão “é lamentável. A Uepa está de portas abertas para os
cursinhos que são parceiros da universidade”. Segundo ela, vestibular “é
um concurso público e tem que seguir todo um trâmite jurídico que
consta do edital”.
A universidade divulga um gabarito
parcial no seu site logo depois da prova e dá 24 horas de prazo para os
cursinhos entrarem com recursos. Nesse prazo são feitas reuniões com a
banca e são feitas avaliações com a participação dos cursinhos. Só 48
horas depois da prova e depois dessa avaliação é que é divulgado o
gabarito oficial. “Toda denúncia que é feita é preciso provar, por isso
tem oficializar”.
Marcela disse que Gurjão não pode
desconsiderar os professores da banca do vestibular da Uepa que “são
gabaritados”. A Assessoria de Comunicação informou ainda que foram
feitos três recursos no vestibular 2012 e três questões foram anuladas,
duas da primeira etapa e uma da segunda etapa.
(Diário do Pará)
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
É hora do Estado tomar nas suas mãos seu desenvolvimento
Mineradoras já cogitam ir à Justiça
A instituição da taxa de fiscalização
sobre a produção mineral, que permitirá ao Estado fazer a cobrança de R$
6, em valores de hoje, sobre cada tonelada de minério extraída do
subsolo paraense, criou um clima de indisfarçável antagonismo entre o
governo Simão Jatene e as grandes empresas mineradoras que atuam no
Pará. O sindicato das empresas, que em nota já havia deixado implícito o
propósito de levar o caso à apreciação da Justiça, agora confirma
expressamente que este é o caminho a ser trilhado, caso a Assembleia
Legislativa venha a aprovar o projeto.
A disposição de recorrer à Justiça foi
anunciada ontem, em Marabá, pelo presidente do Sindicato das Indústrias
Minerais do Estado do Pará (Simineral), José Fernando Gomes Júnior, que
participava do I Simpósio do Setor Metal Mecânico, o Simpomec. “Caso a
Assembleia aprove (o projeto), nós vamos à Justiça, porque a posição dos
assessores jurídicos merece todo o nosso crédito e temos certeza de que
a taxa é inconstitucional”, declarou José Fernando, acrescentando que
cópias do parecer elaborado pela sua assessoria jurídica já foram
encaminhadas aos deputados com assento na Assembleia Legislativa.
“Esperamos que os deputados reflitam antes de aprovar essa taxa”,
assinalou o presidente do Simineral.
Com entendimento totalmente oposto, o
vice-governador Helenilson Cunha Pontes, respeitado tributarista no
país, garantiu que a cobrança da taxa tem amparo legal e constitucional.
“Quem tiver dúvidas sobre a constitucionalidade da taxa, deverá ler o
artigo 23, inciso XI, da Constituição Federal”, disse Pontes, também
presente ao Simpomec de Marabá. E acrescentou: “Esse artigo dá
competência aos Estados para registrar, acompanhar e fiscalizar a
exploração mineral no Brasil”.
De acordo com o vice-governador, é
exatamente isso o que o Pará vai fazer - registrar, acompanhar e
fiscalizar a exploração mineral. E não só mineral, mas também dos
recursos hídricos. “É preciso que se diga que a taxa é apenas um
instrumento da nova política mineral que o Pará está adotando”,
assinalou o vice-governador, acentuando que será criado um cadastro
completo e atualizado de todos os mineradores que atuam no Pará, de
forma a permitir que o Estado assuma efetivamente a gestão dos recursos
minerais existentes no seu território.
DEPUTADOS
Apesar do apelo do Simineral aos
parlamentares, além da base aliada ao governo Simão Jatene, a oposição
também já se posicionou favorável ao projeto de taxação mineral no Pará.
Porém, a bancada do PT já anunciou que vai votar a favor, mas também
vai apresentar três emendas ao projeto para que 50% da arrecadação sejam
destinados a financiar os fundos de saúde, segurança pública e
assistência social.
O líder do PV, Gabriel Guerreiro, também
informou que vai apresentar emendas ao projeto, que segundo o deputado,
não justifica o percentual de taxação, apenas copia o índice e Minas
Gerais para chegar a um volume de arrecadação de R$ 800 a R$ 900
milhões anuais.
Outro problema apontado pelo líder Verde
seria o modelo da cobrança, que em vez de imposto cria taxa. Segundo
Guerreiro, imposto poderia ser repartido com os municípios produtores
minerais. Já a taxa será arrecadada e absorvida na totalidade pelo
Estado. (Diário do Pará)
Passagem para São Paulo
Edital
Concurso Público para Universidade Paulista - UNIP
O Programa de Mestrado/Doutorado em Engenharia
de Produção da Universidade Paulista - UNIP informa aos interessados a abertura
de concurso público para Professor.
Critérios e especificações da seleção
1º)
Professor Doutor.
2º)
Experiência em docência e pesquisa na área de Produção e Meio Ambiente.
3º)
Publicações (livros e/ou artigos) aderentes à linha de pesquisa em Produção
Mais Limpa e Ecologia Industrial e temas afins.
4º)
Disponibilidade para tempo integral.
Documentos para candidatura
·
Curriculum
Vitae - mod. Curriculum Lattes – CNPq.
·
Publicações
dos últimos 5 (cinco) anos com comprovação.
·
Documentação
dos Projetos de Pesquisa realizados ou em andamento,
·
Comprovação
da titulação.
·
Foto
3 X 4 recente.
·
Demais
comprovantes de curriculum vitae serão solicitados após a seleção.
A Seleção constará de
·
Análise
do Curriculum Vitae.
·
Análise
das publicações e da documentação de pesquisa.
·
Apresentação
de seminário (30 minutos), sobre tema de pesquisa que será desenvolvido no
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (área de concentração
Produção e Meio Ambiente), e entrevista.
Período de inscrição e entrega de documentos
De 03 de outubro de 2011 a 30 de janeiro de 2012.
Local da inscrição e seleção
Campus Indianópolis - Secretaria de Pós-graduação da
UNIP
Rua Dr. Bacelar, 1212 – 4º andar – Vila Clementino –
São Paulo – SP – CEP 04026-002
Telefone: 11 5586-4145 com Débora.
E-mail para contato: ppgep@unip.br
Prova e Entrevista
06 de fevereiro de 2012 – 10 h (Análise da
documentação).
13 de fevereiro de 2012 – 14 h – Seminário e
entrevistas apenas para os convocados.
Resultado:
17 de fevereiro de 2012.
domingo, 27 de novembro de 2011
Entrevista: Jatene fala sobre plebiscito no Pará e sobre a taxa da exploração mineral
No momento em que os eleitores discutem o projeto de separação que pode transformar o Pará em três e está trazendo à ribalta problemas históricos do Estado, o governador Simão Jatene colocou lenha na fogueira das discussões sobre os reais benefícios que a exploração mineral deixa aos paraenses.
Semana passada, enviou à Assembleia um projeto de lei que prevê a cobrança de R$ 6 por tonelada de qualquer minério extraído no Estado. Se transformado em lei, o projeto engordará os cofres públicos em quase R$ 1 bilhão por ano, o equivalente a duas vezes o que arrecadou com a venda das Centrais Elétricas do Pará (Celpa), em 1998.
Com uma base aliada dividida em meio à campanha separatista, Jatene afirma estar confiante de que o projeto passará, sem dificuldades pelos deputados. Mas a proposta deve enfrentar reações das empresas mineradoras, que já se articulam para conseguir a declaração de inconstitucionalidade da taxa.
Na última sexta, o governador recebeu o DIÁRIO para uma entrevista em que defendeu a aprovação da proposta e comentou as razões que o levaram a, finalmente, descer do muro e se manifestar publicamente sobre o plebiscito de 11 de dezembro. A manifestação foi publicada em artigo na edição do último domingo do DIÁRIO. Na entrevista, Jatene admite: se necessário, poderá entrar de cabeça na campanha contra a divisão.
P: Como surgiu a ideia do projeto de cobrar taxa sobre a exploração mineral?R: A ideia de que se precisa - pela própria dimensão que a mineração tem para o Estado - ter mecanismos mais eficientes, claros, bem definidos de controle e acompanhamento dessa atividade não é nova. Confesso que desde o governo passado isso era algo sobre o que sempre se conversava. Qual a melhor alternativa? Até porque se tinha uma discussão das próprias mudanças que a União deveria fazer no sentindo de ter um sistema melhor de controle e acompanhamento da exploração mineral.
P: Hoje essa é uma atividade sem controle do Estado?R: O que existe hoje é muito frágil.
P: É uma riqueza que está escorrendo pelo ralo?R: É um bem [os minérios] absolutamente estratégico. E a sociedade não tem mecanismos de controle eficientes, que possam contribuir para que efetivamente esse bem se constitua num elemento de desenvolvimento.
P: Qual a relação entre o controle de que o senhor está falando e cobrança da taxa?R: Essas duas coisas são absolutamente casadas. A taxa é um tributo que normalmente tem dois fundamentos. Um deles é a contraprestação de um serviço que o Estado oferece ao cidadão. Outra é o exercício do poder de polícia, que é a própria essência do Estado. Temos uma riqueza que é de toda a sociedade, que é estratégica, importante para o desenvolvimento da sociedade. Nada mais razoável que se tenha fiscalização sobre pesquisa, lavra e extração.
P: Como o governo chegou ao valor de R$ 6?R: Um conjunto de cálculos foi feito para que não se inviabilizasse a produção, não se perdesse competitividade, mas que se pudesse financiar essas atividades que o Estado tem que desenvolver para que possa efetivamente ter controle sobre a mineração.
P: Em Minas, eles têm um projeto semelhante, mas a taxa ficou em torno de R$ 2...R: O projeto de Minas tem algumas diferenças. Apesar de termos conversado sobre o tema. A nossa taxa vem colada a um cadastro. Em alguns casos, o projeto define que os microempreendimentos estejam isentos da taxa, mas não do cadastro.
P: Em Minas, a proposta é em torno de R$ 2 e no Pará de R$ 6. Por quê?R: O projeto de Minas é diferente. Em Minas, tem a ver com a exportação ou não. Alguns tipos de minérios estão isentos. No nosso caso, não. Será tudo.
P: Mas por que R$ 6?R: Você já ouviu falar de uma coisa chamada custo Amazônico? Para acompanhar e fiscalizar, precisamos ter o controle e acompanhamento de uma atividade que é pulverizada e vai exigir, em todo território, a presença do Estado com uso de tecnologia que permita efetivamente acompanhar a atividade.
P: Quanto essa cobrança vai render ao Estado?R: Em torno de R$ 800 milhões por ano.
P: Esse valor é quase três vezes a capacidade de investimento do Pará em 2011...R: Foi um ano atípico. No meu último ano de governo, em 2006, investimos cerca de R$ 1 bilhão e pouco. Infelizmente o Pará perdeu capacidade de investimento, que a gente está recuperando.
P: Esse dinheiro não fará grande diferença na capacidade de investimento?R: Não só na capacidade de investimentos. Faz uma grande diferença no exercício da gestão pública.
P: É forma de pressionar a União a resolver os problemas da lei Kandir?R: Não tem nenhuma vinculação. Eu continuo brigando para que a União resolva a questão.
P: Há controvérsia sobre a competência legal do Estado para instituir essa taxa...R: Eu não tenho nenhuma dúvida quanto essa competência. Seria negar que o Estado tem competência de cobrar taxas. Ninguém questiona as demais taxas que o Estado cobra. Não pode existir controvérsia.E isso não tem nenhuma relação com compensação da exploração dos recursos naturais. Para isso existe a CFEM [Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais].
P: Em Minas, o governo tem tido dificuldade para aprovar o projeto...R: Esse é um anseio antigo da sociedade paraense E minha expectativa é de que a Assembleia aprove essa taxa para que possa vigorar já a partir do ano que vem.
P: O senhor está preparado para uma batalha jurídica em torno do projeto?R: Para dizer que ele é inconstitucional teriam que desqualificar isso como taxa e chamar de outra coisa que ela não é.
P: Esse projeto não pode ser um fator de atrito entre o Estado e a Vale?R: Espero que não. Pelo contrário. Eu acho que toda empresa moderna deve desejar que a sua atividade passe pelo controle social.
P: No último domingo, o senhor divulgou artigo manifestando pela primeira vez, publicamente, sua posição sobre a divisão do Pará. Por que se manifestar nesse momento?R: Desde que se começou a discutir essa história, eu ponderei sempre algumas coisas. A primeira delas é que isso é uma coisa tão séria que tem que ser tratada com muita, mas muita responsabilidade, sem açodamento. O plebiscito é um instrumento fantástico de participação, mas o voto é tanto mais democrático quanto mais as pessoas souberem efetivamente sobre o que estão votando, sob pena de o voto acabar se constituindo elemento de chancela ou aval do desejo de grupos de interesses.
P: Não há informação suficiente sobre o assunto?R: Eu acho que essa é uma das questões mais sérias.
P: Então repito: por que se manifestar agora?R: Os programas foram seguindo uma escala de agressividade. Eu sempre disse que eu estava preocupado com dia da eleição, do plebiscito, mas não poderia deixar de ter uma atenção especial com o dia seguinte. No rumo que a campanha tomou, teremos mágoas e ressentimentos. Seja qual for o resultado, vamos ter um dia seguinte, e vamos ter que ter estratégias e projetos de desenvolvimento. Não conheço experiência bem sucedida de desenvolvimento em que autoestima do povo não seja um combustível fundamental. A campanha vinha na direção de quase destruir essa autoestima.
P: O que o levou a se manifestar foi o tom dos programas eleitorais?R: Claro. Se a minha preocupação, como governador, é com o dia da votação, mas, sobretudo, com o dia seguinte, tenho o dever de preservar a unidade do povo.
P: Mas se o objetivo da campanha do Sim é mostrar que dividir o Estado será melhor, não é natural mostrar que do jeito que está é ruim?R: Acho que você pode fazer propostas, indicar coisas, mas tendo compromisso com a verdade. Quer um exemplo claro? A história do FPE [Fundo de Participação dos Estados]. Desafio que qualquer pessoa com compromisso com a verdade e bom senso possa dizer que depois de 2012 o FPE vai ser assim ou assado. Existe uma determinação legal de que durante 2012 vamos ter que redefinir os critérios de distribuição. Como posso aceitar que se engane a população dizendo que vai crescer em R$ 3 bilhões? Isso não tem nenhum fundamento.
P: O senhor se sente pessoalmente atingido pelos programas eleitorais do sim?R: De jeito nenhum.
P: Eles mostram um Estado arrasado...R: Essa não é uma questão pessoal. É uma questão de povo. O Pará está vivendo seu maior desafio. Estamos sendo cobaias. Um plebiscito que se define sem que antes se saiba quem irá votar... Isso só foi resolvido depois. Existem hoje mais de 20 projetos de redivisão. Precisamos pensar o que está por trás disso.
P: O senhor vai entrar de cabeça na campanha?R: O que me motivou [refere-se ao artigo] foram a agressões ao povo do Pará. Não posso, como governador, aceitar que a nossa gente seja tratada como um detalhe.
P: Repito: o senhor poderá entrar de cabeça na campanha?R: Não pensei sobre isso.
P: Se for preciso, se as pesquisas indicarem?R: Se houver agressão, à nossa gente, eu não vou poder deixar de entrar. Terei necessariamente [que participar da campanha do não] porque esse é meu papel.
P: Aliados reclamaram...R: Não posso aceitar qualquer medida que possa provocar, contribuir, promover ou levar a que o debate sobre a divisão se transforme na divisão do povo.
P: O senhor foi acusado de ter feito promessa de se manter neutro e não ter cumprido...R: Se existe alguém que tem quase obsessiva preocupação com a coerência... Confesso que sou assim.
P: Mas fato é que o senhor disse que ia manter-se neutro...R: Não. Eu disse sempre que achava que não poderia contribuir para que a divisão levasse à ruptura de laços que a nossa gente tem. Na hora em que a campanha vem promovendo essa ruptura, não dizer nada é que seria incoerente.
P: E o relacionamento com a base aliada, como anda?R: Muito bom. Não tenho dificuldade de conversar com qualquer parlamentar. Independente de divisão ou não, todos temos compromisso com a população.
P: O senhor espera retaliações na Assembleia?R: Nem me passa pela cabeça.
P: Os deputados na campanha do sim devem temer retaliações pós-plebiscito?R: Jamais. Sou uma pessoa rigorosamente democrática.
P: O não vai vencer?R: Prefiro não me manifestar. Quero só dizer que continuo preocupado com o dia seguinte. Espero que as duas campanhas tenham maturidade e equilíbrio para mostrar pontos de vista sem agressões. (Diário do Pará)
sábado, 26 de novembro de 2011
Sobre China. Kissinger - recomendo.
Secretário de Estado e Assessor de Segurança Nacional de dois
presidentes (Richard Nixon e Gerald Ford, 1969-1977), o cientista
político Henry Kissinger foi o principal arquiteto da aproximação entre
os Estados Unidos e a China comunista, como uma maneira de pressionar a
União Soviética, contra a qual os dois países tinham interesses comuns.
Em seu livro mais recente, Sobre a China,
Kissinger conta os bastidores dessa diplomacia triangular e procura
traçar o panorama da história das relações internacionais chineses do
século XIX aos dias atuais. Contudo, o resultado é decepcionante, pois
Kissinger está preso a um formato de reflexão intelectual que leva em
conta somente as intenções dos principais líderes políticos e dá pouca
ou nenhuma atenção às grandes transformações das sociedades, ao
desenvolvimento econômico e a temas como democracia e direitos humanos.
As primeiras 200 páginas do livro são dedicadas à análise histórica
do período de declínio da China, com as guerras do Ópio, as concessões
feitas às potências ocidentais, ao Japão e à Rússia e, finalmente, o
turbulento período da primeira metade do século XX, com o colapso do
império, a proclamação da República, a ocupação japonesa, a guerra civil
entre nacionalistas e comunistas e a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung
na década de 1960. É uma história fascinante, mas foi narrada e
analisada de modo mais competente do que aquele feito por Kissinger por
autores como o historiador britânico Jonathan Spence, em seu Em busca da China moderna, e o economista italiano Giovanni Arrighi em Adam Smith em Pequim.
O foco de Kissinger é no modo como o imperador e os principais
mandarins (altos funcionários) da China precisaram abandonar a ideia de
que eram o centro das relações internacionais e se inserir no sistema de
Estados liderados pelas potêncas ocidentais. Esse processo ocorreu pela
força e, após derrotas em guerras para os britânicos, os chineses
“convidaram outros países europeus [a estabelecer postos comerciais na
China] com o propósito de primeiro estimular e depois manipular a
rivalidade entre eles”. Para Kissinger, é parte do “princípio de
derrotar os bárbaros próximos com o auxílio dos bárbaros distantes”.
O cientista político afirma que o paradigma chinês de pensar a
diplomacia é bastante diferente do Ocidental. Enquanto este se baseia na
vitória total e tem no xadrez seu principal modelo, a maneira da China
seria melhor ilustrada pelo jogo tradicional Wei qi, uma espécie de
gamão que “implica um conceito de cerco estratégico” e no pensamento de
Sun Tzu com sua “ênfase nos elementos psicológicos e políticos acima dos
puramente militares”. A metáfora é bonita, mas, com ligeiras
adaptações, o que o autor classifica como tradição oriental poderia ser
igualmente usado para descrever certas medidas dos Estados Unidos
durante a Guerra Fria, como o Plano Marshall e a criação da OTAN.
– Negociando com os Comunistas –
O livro torna-se mais interessante quando aborda a China após a Revolução Comunista de 1949. Kissinger examina os erros cometidos pela liderança dos Estados Unidos naquela época, mostrando como a rigidez ideológica do período os cegou para as possibilidades de explorar as divergências crescentes entre Pequim e Moscou, e atrelou Washington a uma aliança ineficaz com o regime nacionalista em Taiwan. Medos e desconfianças fizeram com que os Estados Unidos creditassem ao governo comunista chinês intenções agressivas com relação à Coréia, numa escalada que culminou com a guerra de 1950-2, que terminou num surpreendente impasse militar – ninguém esperava tal desempenho do exército chinês, desgastado após o longo embate contra japoneses e nacionalistas.
O livro torna-se mais interessante quando aborda a China após a Revolução Comunista de 1949. Kissinger examina os erros cometidos pela liderança dos Estados Unidos naquela época, mostrando como a rigidez ideológica do período os cegou para as possibilidades de explorar as divergências crescentes entre Pequim e Moscou, e atrelou Washington a uma aliança ineficaz com o regime nacionalista em Taiwan. Medos e desconfianças fizeram com que os Estados Unidos creditassem ao governo comunista chinês intenções agressivas com relação à Coréia, numa escalada que culminou com a guerra de 1950-2, que terminou num surpreendente impasse militar – ninguém esperava tal desempenho do exército chinês, desgastado após o longo embate contra japoneses e nacionalistas.
Kissinger enumera as razões pelas quais a União Soviética e a China
divergiram entre si, apesar do regime comunista comum – disputas
ideológicas por influência no Terceiro Mundo, conflitos regionais na
Ásia, problemas de fronteira. Novamente, o cisma é melhor narrado por
outros autores, como The Sino-Soviet Split, de Lorenz Luthi.
O que Kissinger tem a oferecer são anedotas – algumas delas saborosas
– sobre suas negociações com líderes chineses como Mao, Zhou Enlai e
Deng Xiaoping. Ele vê o primeiro como um filósofo camponês desconfiado e
astuto, o segundo como um diplomata refinado, um mandarim cortês como
os que serviram os imperadores. Claramente foi seu interlocutor
favorito: “Mao era ávido por acelerar a história: Zhou se satisfazia em
explorar suas correntes”. O terceiro é elogiado como pragmático e
direto: “Ele incubia seus subordinados de inovar, depois endossava o que
funcionava.” Há bons perfis dos líderes chineses da era de Deng, como o
reformador heterodoxo Zhao Zyiang, o presidente Jiang Zemin e o
chanceler Qian Quichen (“um dos ministros das Relações Exteriores mais
habilidosos que já conheci”).
Maurício Santoro.
Doutor em Ciência Política, é professor do MBA em Relações
Internacionais da Fundação Getúlio Vargas-RJ e colaborador da Globo
News, rádio Band News e Folha de S. Paulo.
DEPRESSÃO, DÉBÂCLE E BANCARROTA.
TEXTO INÉDITO DE SAMUEL BENCHIMOL SOBRE A CRISE DA BORRACHA.
Contribuição de Anne Benchimol.
Samuel Benchimol - 1994
Os franceses chamaram débâcle, os italianos bancarrota, os americanos
crack, os latinos crise. Em bom português quebra, falência ou colapso.
Não importa o nome. O importante é assinalar que depois do período do
apogeu, o ciclo da borracha, após e já no segundo semestre de 1910, dava
o sinal de ruptura nos pregões da Bolsa e nos centros internacionais de
consumo e de produção. Os 461.740 hectares de seringueiras plantadas no
oriente asiático anunciavam uma produção de 152.000 toneladas para 1916
que acrescidas da produção amazônica e africana, ultrapassava o consumo
esperado de menos de 190.000 toneladas.
No ano de 1910, a Amazônia, nas estatísticas da Sudhevea, produzia 40.800 toneladas, enquanto a Ásia apenas 8.753 toneladas, porém em 1915 haviam sido plantados no Oriente cerca de um milhão de hectares de seringueiras, o que prenunciava uma grande superprodução na década os anos 20, quando, de fato, a Ásia chegou a produzir 380.000 toneladas, ultrapassando de muito a capacidade de consumo dos mercados mundiais.
A queda dos preços teria que ser assim inevitável. Os preços da Bolsa de Londres que, em 1909, oscilavam em torno de 3sh.3d. a 4sh.16d. a libra peso, tiveram uma violenta subida para o máximo de 20sh.15d. em 10 de maio de 1910 para, em seguida, no segundo semestre, cair para 10sh.2d. em junho, e 6sh.4d em dezembro desse ano. Para tornar mais fácil o significado dessas cotações, esses preços, quando convertidos em toneladas, expressavam uma cotação média de 964,5 libras esterlinas por tonelada em 1910 (equivalente a 49.469 libras de 1992, ou 74.203 dólares americanos de 1992, correspondente a 49,4 libras esterlinas ou 74,2 dólares o kilo, a preços do mercado spot (entregue) em Londres ou New York.
Em Manaus essa especulação altista foi amortecida por grande parte dos ganhos da Bolas e foram retidos pelos importadores, intermediários e stockistas das praças de Londres e New York, mas mesmo assim o mercado de Manaus que pagava uma média de 10$000 o kilo em novembro de 1910, teve o seu preço máximo atingido em 17$000 o kilo em abril de 1910. Já em dezembro desse exercício houve um recuo na especulação e os preços voltaram ao nível anterior de 6$800/7$800 ao final de dezembro. Pelas estatísticas de exportação da época nesse ano de 1910, o preço médio da tonelada exportada de todos os tipos, (incluindo borracha fina, de sernambi e caucho, que tinha a sua cotação fixada a níveis de 35%, mais baixos que a Pará – Fine Rubber) alcançou a 655 libras esterlinas a tonelada, equivalente a 1,44 o kilo correspondente a 336 esterlinas do poder de compra equivalente de 1992, ou 504 dólares se preferir usar o parâmetro da moeda americana. O valor da exportação desse ano de 38.547 toneladas a preço de 1992 alcançava, assim, o total de 1,3 bilhões de libras esterlinas, ou 1,9 bilhões de dólares atuais. Por aí se vê que os preços altos de 1910 provocaram uma euforia passageira, pois já no fim desse ano as cotações despencaram para menos da metade.
No ano seguinte de 1911, os preços oscilavam entre 7 sh. de fevereiro para 4sh.8d a libra peso de janeiro para 4sh.7d. em dezembro. Em 1913 a descida continuou, oscilando entre 4sh. e 3sh., e em 1914 os preços caíram ainda mais, variando de 3sh. de janeiro para 2sh.9d. a libra-peso em junho. Em termos de mil réis, as cotações das praças de Manaus depois de atingir os 17$000 o kilo em abril de 1910 arriava para 7$000 a 5$000 o kilo em 1911; se manteve estável em torno de 6$000 a 5$000 o kilo em 1912; caindo para 5$300 de janeiro de 1913 para 3$550 em dezembro; em 1914, a crise definitivamente se instalou, pois os preços nesse ano oscilaram de 3$650 até 4$000 o kilo; e em 1915 manteve-se a mesma tendência do ano anterior. Preços esses pagos pelos aviadores e exportadores da praça de Manaus que, em média, representavam cerca de 60 a 70% dos preços pagos aos seringalistas se tivessem que descontar os fretes dos seringais até a cidade e mais as despesas de impostos, taxas, capatazias, comissões e outras despesas que oneravam a borracha naquele tempo. Os seringalistas por sua vez, ao fazerem as suas contas aos seringueiros deduziam do preço vendido em Manaus, 10% de comissão e mais 10% a título de tara de quebra de peso. Assim, os seringueiros que haviam recebido cerca de 7$000 a 8$000 o kilo no auge de 1910, em 1914 e 1915 deviam ter recebido cerca de 2$000 o kilo no “toco”, conforme a gíria do seu tempo.
Essa rebaixa violenta nos preços da borracha teve reflexos violentos que alcançou tanto os exportadores, aviadores, como os seringalistas e seringueiros. Falava-se, na época, que o custo de produção, em 1914, se situava em 4$000 o kilo para os seringueiros, enquanto que os compradores ofereciam apenas 3$000 o kilo, conforme depoimento do deputado Luciano Pereira, em discurso na Câmara dos Deputados em 26/10/1914, refletindo as reivindicações e os lamentos das classes empresariais da Associação Comercial do Amazonas.
Como conseqüência dessa quebra de preços, resultante da perda do monopólio da borracha, com a entrada da produção dos seringais asiáticos, toda a estrutura produtiva da Amazônia começou a desabar. Os seringalistas endividados não conseguiam pagar, com os preços aviltados, os financiamentos dos aviadores e assim deixavam ao desamparo os seringueiros, que desprovidos dos ranchos e dos aviamentos do depósito e do barracão não tinham como e porque continuar produzindo. Muitos abandonaram as suas estradas e procuraram sobreviver em outras vilas e cidades rio-abaixo.
No ano de 1910, a Amazônia, nas estatísticas da Sudhevea, produzia 40.800 toneladas, enquanto a Ásia apenas 8.753 toneladas, porém em 1915 haviam sido plantados no Oriente cerca de um milhão de hectares de seringueiras, o que prenunciava uma grande superprodução na década os anos 20, quando, de fato, a Ásia chegou a produzir 380.000 toneladas, ultrapassando de muito a capacidade de consumo dos mercados mundiais.
A queda dos preços teria que ser assim inevitável. Os preços da Bolsa de Londres que, em 1909, oscilavam em torno de 3sh.3d. a 4sh.16d. a libra peso, tiveram uma violenta subida para o máximo de 20sh.15d. em 10 de maio de 1910 para, em seguida, no segundo semestre, cair para 10sh.2d. em junho, e 6sh.4d em dezembro desse ano. Para tornar mais fácil o significado dessas cotações, esses preços, quando convertidos em toneladas, expressavam uma cotação média de 964,5 libras esterlinas por tonelada em 1910 (equivalente a 49.469 libras de 1992, ou 74.203 dólares americanos de 1992, correspondente a 49,4 libras esterlinas ou 74,2 dólares o kilo, a preços do mercado spot (entregue) em Londres ou New York.
Em Manaus essa especulação altista foi amortecida por grande parte dos ganhos da Bolas e foram retidos pelos importadores, intermediários e stockistas das praças de Londres e New York, mas mesmo assim o mercado de Manaus que pagava uma média de 10$000 o kilo em novembro de 1910, teve o seu preço máximo atingido em 17$000 o kilo em abril de 1910. Já em dezembro desse exercício houve um recuo na especulação e os preços voltaram ao nível anterior de 6$800/7$800 ao final de dezembro. Pelas estatísticas de exportação da época nesse ano de 1910, o preço médio da tonelada exportada de todos os tipos, (incluindo borracha fina, de sernambi e caucho, que tinha a sua cotação fixada a níveis de 35%, mais baixos que a Pará – Fine Rubber) alcançou a 655 libras esterlinas a tonelada, equivalente a 1,44 o kilo correspondente a 336 esterlinas do poder de compra equivalente de 1992, ou 504 dólares se preferir usar o parâmetro da moeda americana. O valor da exportação desse ano de 38.547 toneladas a preço de 1992 alcançava, assim, o total de 1,3 bilhões de libras esterlinas, ou 1,9 bilhões de dólares atuais. Por aí se vê que os preços altos de 1910 provocaram uma euforia passageira, pois já no fim desse ano as cotações despencaram para menos da metade.
No ano seguinte de 1911, os preços oscilavam entre 7 sh. de fevereiro para 4sh.8d a libra peso de janeiro para 4sh.7d. em dezembro. Em 1913 a descida continuou, oscilando entre 4sh. e 3sh., e em 1914 os preços caíram ainda mais, variando de 3sh. de janeiro para 2sh.9d. a libra-peso em junho. Em termos de mil réis, as cotações das praças de Manaus depois de atingir os 17$000 o kilo em abril de 1910 arriava para 7$000 a 5$000 o kilo em 1911; se manteve estável em torno de 6$000 a 5$000 o kilo em 1912; caindo para 5$300 de janeiro de 1913 para 3$550 em dezembro; em 1914, a crise definitivamente se instalou, pois os preços nesse ano oscilaram de 3$650 até 4$000 o kilo; e em 1915 manteve-se a mesma tendência do ano anterior. Preços esses pagos pelos aviadores e exportadores da praça de Manaus que, em média, representavam cerca de 60 a 70% dos preços pagos aos seringalistas se tivessem que descontar os fretes dos seringais até a cidade e mais as despesas de impostos, taxas, capatazias, comissões e outras despesas que oneravam a borracha naquele tempo. Os seringalistas por sua vez, ao fazerem as suas contas aos seringueiros deduziam do preço vendido em Manaus, 10% de comissão e mais 10% a título de tara de quebra de peso. Assim, os seringueiros que haviam recebido cerca de 7$000 a 8$000 o kilo no auge de 1910, em 1914 e 1915 deviam ter recebido cerca de 2$000 o kilo no “toco”, conforme a gíria do seu tempo.
Essa rebaixa violenta nos preços da borracha teve reflexos violentos que alcançou tanto os exportadores, aviadores, como os seringalistas e seringueiros. Falava-se, na época, que o custo de produção, em 1914, se situava em 4$000 o kilo para os seringueiros, enquanto que os compradores ofereciam apenas 3$000 o kilo, conforme depoimento do deputado Luciano Pereira, em discurso na Câmara dos Deputados em 26/10/1914, refletindo as reivindicações e os lamentos das classes empresariais da Associação Comercial do Amazonas.
Como conseqüência dessa quebra de preços, resultante da perda do monopólio da borracha, com a entrada da produção dos seringais asiáticos, toda a estrutura produtiva da Amazônia começou a desabar. Os seringalistas endividados não conseguiam pagar, com os preços aviltados, os financiamentos dos aviadores e assim deixavam ao desamparo os seringueiros, que desprovidos dos ranchos e dos aviamentos do depósito e do barracão não tinham como e porque continuar produzindo. Muitos abandonaram as suas estradas e procuraram sobreviver em outras vilas e cidades rio-abaixo.
Os que podiam voltavam ao Ceará e outros estados
nordestinos. Muitos deles, no entanto, endividados e sem saldos,
preferiram ficar nas suas colocações para se tornar caçador de peles de
animais silvestres, coletor de ouriços de castanha ou simplesmente se
dedicavam a agricultara de subsistência com os seus roçados de mandioca,
milho, feijão e arroz. Os seringalistas também buscavam alternativas e
estratégias de sobrevivência, tentando diminuir os custos de produção,
através da produção de alimentos nos seringais, despendiam o pessoal
localizado nos centros mais distantes, davam a conta daqueles
seringueiros menos produtivos, diminuíam o número de burros e comboios,
despendiam os funcionários do beiradão e do escritório. Outros, mais
endividados, entregavam os seus seringais aos aviadores, em pagamento de
suas dívidas ou deixavam que estes o executasse e arrematasse, ou
adjudicassem as suas propriedades em hasta pública nos leilões
judiciais.
Os aviadores, assim, se tornaram grandes proprietários de terras no interior. Um deles, B. Levy & Cia., conforme vimos, quando de sua dissolução em 1945 deixou um espólio de 309 seringais, e J. G. Araújo tornou-se praticamente dono de imensos latifúndios, propriedades de seringa e castanha no rio Negro, Solimões, Madeira, Purus e Juruá. Nunca foi feito um inventário de suas propriedades, pois a firma se extinguiu e de seus arquivos doados à Universidade do Amazonas não consta os originais nas cópias das escrituras e registros de imóveis dessas propriedades. Mas como o número de seus aviadores eram acima de 500 seringalistas é bem provável que o número de seringais recebidos em pagamento de suas dívidas tenham sido superiores a 1.000, pois segundo depoimento do seu último .................... Jaime de Araújo, a firma tinha uma sala cheia de cofres com escrituras e registros de seringais que ninguém sabia mais avaliar o seu número, nem o seu valor. Essas propriedades tinham virado pó nas mãos dos seringalistas e aviadores, pois o seu capital de financiamento havia sido convertido em terras sem preço e sem valor.
As companhias de navegação e os armadores particulares passaram a sofrer igualmente o déficit em suas linhas, diminuindo o número de saída dos seus vapores, suprimindo escalas, ou desativando e desarmando as suas gaiolas e chatas. Só a Amazon River, como vimos, declarava que no ano de 1913 havia sofrido um déficit operacional de 1.500:000$000, equivalente a 4.931.534 libras esterlinas em 1992, ou 7,4 milhões de dólares atuais, que desejava ser ressarcido do Governo Federal, que negou o seu pleito, pois as classes empresariais temiam o monopólio inglês de navegação fluvial, pois muitos dos armadores locais, sem subsídios, estavam com os seus vapores desativados por falta de movimento de cargas e passageiros.
As propriedades e imóveis em Manaus, construídos pelos portugueses, na época do boom, ficaram desvalorizados e muitas casas estavam desocupadas. O deputado Luciano Pereira informava na Câmara dos Deputados que das 8.000 casas existentes em Manaus, 2.000 estavam desalugadas, à espera de inquilinos que haviam abandonado a cidade, regressando para o Nordeste, ou se retirando para Portugal, França, Inglaterra e Alemanha. Fundou-se, inclusive, a Sociedade Repatriadora Lusitânia, com sede no Luso Sporting Club de Manaus, para promover a emigração de portugueses pobres e desamparados pela crise avassaladora. Muitos deles abandonaram as suas propriedades e foram residir em suas quintas e aldeias do Minho, Porto, Tras-os-montes, Pôvoa de Varzin, de onde provinham, deixando as suas firmas e casas nas mãos de procuradores, corretores e administradores de imóveis. Muitas dessas propriedades jamais foram vendidas e os aluguéis recebidos, muitas vezes, eram retidos por esses intermediários e jamais transferidos para os seus legítimos donos.
Os aviadores, assim, se tornaram grandes proprietários de terras no interior. Um deles, B. Levy & Cia., conforme vimos, quando de sua dissolução em 1945 deixou um espólio de 309 seringais, e J. G. Araújo tornou-se praticamente dono de imensos latifúndios, propriedades de seringa e castanha no rio Negro, Solimões, Madeira, Purus e Juruá. Nunca foi feito um inventário de suas propriedades, pois a firma se extinguiu e de seus arquivos doados à Universidade do Amazonas não consta os originais nas cópias das escrituras e registros de imóveis dessas propriedades. Mas como o número de seus aviadores eram acima de 500 seringalistas é bem provável que o número de seringais recebidos em pagamento de suas dívidas tenham sido superiores a 1.000, pois segundo depoimento do seu último .................... Jaime de Araújo, a firma tinha uma sala cheia de cofres com escrituras e registros de seringais que ninguém sabia mais avaliar o seu número, nem o seu valor. Essas propriedades tinham virado pó nas mãos dos seringalistas e aviadores, pois o seu capital de financiamento havia sido convertido em terras sem preço e sem valor.
As companhias de navegação e os armadores particulares passaram a sofrer igualmente o déficit em suas linhas, diminuindo o número de saída dos seus vapores, suprimindo escalas, ou desativando e desarmando as suas gaiolas e chatas. Só a Amazon River, como vimos, declarava que no ano de 1913 havia sofrido um déficit operacional de 1.500:000$000, equivalente a 4.931.534 libras esterlinas em 1992, ou 7,4 milhões de dólares atuais, que desejava ser ressarcido do Governo Federal, que negou o seu pleito, pois as classes empresariais temiam o monopólio inglês de navegação fluvial, pois muitos dos armadores locais, sem subsídios, estavam com os seus vapores desativados por falta de movimento de cargas e passageiros.
As propriedades e imóveis em Manaus, construídos pelos portugueses, na época do boom, ficaram desvalorizados e muitas casas estavam desocupadas. O deputado Luciano Pereira informava na Câmara dos Deputados que das 8.000 casas existentes em Manaus, 2.000 estavam desalugadas, à espera de inquilinos que haviam abandonado a cidade, regressando para o Nordeste, ou se retirando para Portugal, França, Inglaterra e Alemanha. Fundou-se, inclusive, a Sociedade Repatriadora Lusitânia, com sede no Luso Sporting Club de Manaus, para promover a emigração de portugueses pobres e desamparados pela crise avassaladora. Muitos deles abandonaram as suas propriedades e foram residir em suas quintas e aldeias do Minho, Porto, Tras-os-montes, Pôvoa de Varzin, de onde provinham, deixando as suas firmas e casas nas mãos de procuradores, corretores e administradores de imóveis. Muitas dessas propriedades jamais foram vendidas e os aluguéis recebidos, muitas vezes, eram retidos por esses intermediários e jamais transferidos para os seus legítimos donos.
Alguns portugueses que ficaram deixaram de
mandar as pensões e mesadas para os seus familiares em Portugal que
passavam necessidades. Muitos espanhóis aqui residentes e em Belém
também abandonaram a região e voltaram para a Galícia, terra e província
de suas origens. Judeus franceses de Alsácia e Lorena abandonaram os
seus seringais e os seus estabelecimentos comerciais e regressaram à
França, onde muitos foram se estabelecer em Paris ou em outras vilas e
cidades franceses. Entre eles Marius & Levy que haviam construído um
grande patrimônio em seringais como fornecedores de obras de arte e
mosaicos para a construção do Teatro Amazonas, e como aviador-exportador
e que com a riqueza acumulada havia construído o mais alto edifício
comercial da cidade, de 4 andares, com estrutura de aço inglês e azulejo
importado da França, situado na atual Rua Marechal Deodoro (antiga Rua
do Imperador) com a Rua Teodureto Souto e Avenida Eduardo Ribeiro (atual
edifício dos Correios e Telégrafos), não resistiu a crise e fechou o
seu estabelecimento comercial, alugou os 4 pavimentos para a firma B.
Levy & Cia, que havia resistido a crise, se mudou para Paris. Mais
tarde, em 1914, aceitou uma oferta dos Correios e Telégrafos, feita pelo
seu delegado Raul de Azevedo e com ajuda da Associação Comercial
conseguiu vender esse suntuoso edifício para a referida repartição, que
até hoje tem lá a sua sede. Os judeus marroquinos de origem portuguesa e
espanhola, provindos de Tânger, Ceuta, Casablanca ficaram na Amazônia,
pois tinham feito uma opção de mudança definitiva de viver na região.
Para poderem sobreviver, durante a crise, também abandonaram os
seringais, regatões, flutuantes e estabelecimentos do interior para se
fixar de vez em Belém e Manaus.
A força da crise atingiu também as concessionárias inglesas do serviço público. A Amazon Telegraph Co. que operava o serviço do cabo telegráfico não conseguiu operar devido os altos custos e a queda do movimento de telegramas, pois as altas tarifas de 2$400 por palavra, vigente em 1913 (Loureiro 1986:130) equivaliam a 6 palavras por libra esterlina da época – ou o equivalente a cerca de 50 libras esterlinas, ou 75 dólares americanos de hoje, tornavam impossível o uso de seus serviços, que somente os altos preços da borracha dos tempos áureos tornavam inviável o seu funcionamento. Pior ainda era a situação das comunicações telegráficas do interior, pois segundo Loureiro (op.cit) um telegrama de Sena Madureira ou Empresa (atual Rio Branco-Acre) para chegar em Belém pagava a exorbitante quantia de 6$400 por palavra, quase meia libra esterlina, ou cerca de 31 dólares americanos de hoje. De Porto Velho para Manaus a palavra custava 2$000 e de Manaus a Belém 2$400, ou 12 dólares de hoje. A esses preços, a comunicação tornou-se inacessível, inviabilizando as operações do comércio, tanto da capital como do interior.
A Manaos Harbour que pertencia ao grupo do investidor inglês Alfred Booth, também proprietário da Booth Line e da Manaos Tramways (bondes e energia elétrica) também atravessava sérias dificuldades, solicitava aumentos de suas tarifas de capatazias e atracação e obteve do governo federal a concordância para a não conclusão das obras dos armazéns do retro-porto e a prorrogação do seu contrato por sessenta anos, numa tentativa de recuperar o capital investidor e fazer face aos serviços de manutenção e operação do sistema. A mesma situação se passava no porto de Belém, cuja concessionária a Port of Pará se encontrava em dificuldades e o seu proprietário Percival Farquhar, o maior investidor americano na Amazônia, pois era também o maior acionista da Amazon River e da Madeira-Mamoré Railway, insistia em obter compensação, subsídios e aumento de tarifas. Os seus investimentos não estavam dando o retorno esperado e os déficits se acumulavam na Amazon River que, em 1913, apresentou um déficit operacional de 7,4 milhões de dólares no valor atual.
A Madeira-Mamoré teve a sua construção iniciada em 1907 e concluída em 1912, a um custo de 81.675:731$612, equivalente a 5.445.048 libras da época e 269 milhões de libras esterlinas, ou 403 milhões de dólares de hoje, entrou em dificuldades pois a borracha boliviana que era o seu principal produto de frete diminuiu de volume e conseguiu escoar por uma outra linha férrea para o Oceano Pacífico. Percival Farquar, o seu construtor, recebeu do governo federal, como pagamento das obras, apenas 40.424:872$622 (vide Manoel Rodrigues Ferreira, A Ferrovia do Diabo, pg 305), ou 62.194:394$366, segundo Roberto Santos, 1980:238, ou seja, o equivalente a 3.093.478 libras da época, ou 104.497.7129 esterlinas de 1992, ou cerca de 156 milhões de dólares atuais. Se forem verdadeiros os números acima, Percival Farquar havia perdido cerca de 202 milhões de dólares na transação, o que é difícil de acreditar.
A força da crise atingiu também as concessionárias inglesas do serviço público. A Amazon Telegraph Co. que operava o serviço do cabo telegráfico não conseguiu operar devido os altos custos e a queda do movimento de telegramas, pois as altas tarifas de 2$400 por palavra, vigente em 1913 (Loureiro 1986:130) equivaliam a 6 palavras por libra esterlina da época – ou o equivalente a cerca de 50 libras esterlinas, ou 75 dólares americanos de hoje, tornavam impossível o uso de seus serviços, que somente os altos preços da borracha dos tempos áureos tornavam inviável o seu funcionamento. Pior ainda era a situação das comunicações telegráficas do interior, pois segundo Loureiro (op.cit) um telegrama de Sena Madureira ou Empresa (atual Rio Branco-Acre) para chegar em Belém pagava a exorbitante quantia de 6$400 por palavra, quase meia libra esterlina, ou cerca de 31 dólares americanos de hoje. De Porto Velho para Manaus a palavra custava 2$000 e de Manaus a Belém 2$400, ou 12 dólares de hoje. A esses preços, a comunicação tornou-se inacessível, inviabilizando as operações do comércio, tanto da capital como do interior.
A Manaos Harbour que pertencia ao grupo do investidor inglês Alfred Booth, também proprietário da Booth Line e da Manaos Tramways (bondes e energia elétrica) também atravessava sérias dificuldades, solicitava aumentos de suas tarifas de capatazias e atracação e obteve do governo federal a concordância para a não conclusão das obras dos armazéns do retro-porto e a prorrogação do seu contrato por sessenta anos, numa tentativa de recuperar o capital investidor e fazer face aos serviços de manutenção e operação do sistema. A mesma situação se passava no porto de Belém, cuja concessionária a Port of Pará se encontrava em dificuldades e o seu proprietário Percival Farquhar, o maior investidor americano na Amazônia, pois era também o maior acionista da Amazon River e da Madeira-Mamoré Railway, insistia em obter compensação, subsídios e aumento de tarifas. Os seus investimentos não estavam dando o retorno esperado e os déficits se acumulavam na Amazon River que, em 1913, apresentou um déficit operacional de 7,4 milhões de dólares no valor atual.
A Madeira-Mamoré teve a sua construção iniciada em 1907 e concluída em 1912, a um custo de 81.675:731$612, equivalente a 5.445.048 libras da época e 269 milhões de libras esterlinas, ou 403 milhões de dólares de hoje, entrou em dificuldades pois a borracha boliviana que era o seu principal produto de frete diminuiu de volume e conseguiu escoar por uma outra linha férrea para o Oceano Pacífico. Percival Farquar, o seu construtor, recebeu do governo federal, como pagamento das obras, apenas 40.424:872$622 (vide Manoel Rodrigues Ferreira, A Ferrovia do Diabo, pg 305), ou 62.194:394$366, segundo Roberto Santos, 1980:238, ou seja, o equivalente a 3.093.478 libras da época, ou 104.497.7129 esterlinas de 1992, ou cerca de 156 milhões de dólares atuais. Se forem verdadeiros os números acima, Percival Farquar havia perdido cerca de 202 milhões de dólares na transação, o que é difícil de acreditar.
O abastecimento de água de Manaus e a construção do sistema de esgoto
que era uma concessão do Governo do Estado à Companhia Inglesa, cujo
capital inicial era de 400.000 libras depois aumentado para 800.000
libras esterlinas de 1906, ou 42,6 milhões de esterlinas, ou 64 milhões
de dólares atuais, teve a sua estação de tratamento de esgoto situada na
Rua Isabel (atual Teatro Chaminé) destruída por uma revolta popular.
Segundo depoimento do Prof. Agnelo Bittencourt, 1925:309, esse motim foi
causado pelo “corte da derivação d’água a todos as casas cujos
inquilinos estivessem em atraso do seu pagamento à Manaos Improveroment e
não satisfizessem os depósitos para garantia do consumo d’água”. Esse
corte havia seria garantido por uma ordem do Governador Jonathas
Pedrosa, que havia mandado uma tropa de cinqüenta praças da Polícia
Militar para garantir a ordem. A versão dada por esse governador tinha
mais conotação política, conforme se verifica pela sua mensagem de 10 de
julho de 1913, transcrita por Agnello Bittencourt, 1925:308, como
segue:
Os inimigos da paz e da ordem, cançados de ameaças constantes a este governo, abusando desta ampla tolerância, puzeram em prática suas sinistras urdiduras transformando o Quartel do Batalhão de Segurança em um reduto de sua politicagem mesquinha e excessiva perversidade. Estabelecem-se o pânico em toda a cidade ... e os sediosos sahiram à rua, e, guiados por baixos instrumentos da politicagem arruaceira, empastelaram-se órgãos de publicidade desta capital e dirigindo-se ao escriptorio da Manaos Improvments commeteram actos de verdadeira selvageria. Para minha garantia pessoal recolhi-me com toda minha família no Quartel General desta Região de onde solicitei do honrado Presidente da Republica que promptamente m’o prestou ...
A Manaos Markets and Slaughterhouse Ltd., concessionária inglesa do
serviço do matadouro e do mercado público, em face dos precários
serviços que a crise ocasionada com o quadro no consumo de carne verde e
no abate de animais foi encampada, cuja indenização, fixada em 1913,
pelo governo que concordou em pagar 3.000:000$000, a partir do segundo
semestre de 1914. As duas indenizações da Manaos Market e da Manaos
Improvments custariam, assim, ao governo estadual a vultuosa quantia de
10.500:000$000 (7.500$000 da Manaos Improvments e o saldo da Manaos
Markets), importavam em 698 mil libras esterlinas de 1913, ou 34.523.080
libras de hoje, ou 51,7 milhões de dólares correntes). O Estado do
Amazonas agia como se ainda estivesse nadando em ouro, quando de suas
receitas públicas minguavam de forma desastrosa e incontrolável.
Vejamos o comportamento da receita pública do Governo do Estado do
Amazonas durante a débâcle de 1911 a 1924 (Agnello Bittecourt 1925:230):
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