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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quem pariu Matheus que o embale

Abaixo-assinado vê retrocesso em indicações


Movimentos sociais, militantes e intelectuais que apoiaram a reeleição da presidente Dilma Rousseff intensificaram a pressão contra a provável nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para a Agricultura. No manifesto "Em defesa do programa vitorioso nas urnas", apoiadores de Dilma classificam a indicação de Levy e Kátia como "regressão" e criticam a mudança nos rumos do governo depois da eleição.

"Ambos ]Levy e Kátia] são conhecidos pela solução conservadora e excludente do problema fiscal e pela defesa sistemática dos latifundiários contra o meio ambiente e os direitos de trabalhadores e comunidades indígenas", afirma o manifesto, divulgado na internet. Levy é presidente da Bradesco Asset Management e Kátia é presidente da Confederação Nacional da Agricultura.

Entre os 61 signatários do manifesto, até a noite de ontem, estão o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o teólogo Leonardo Boff, o coordenador do MST, João Pedro Stédile, o ex-porta-voz da Presidência André Singer, o militante do PT Valter Pomar; grupos como o Mídia Ninja, Fora do Eixo e Levante Popular da Juventude e intelectuais da USP, Unicamp, UNB, Uerj, UFRJ, PUC, entre outros.

No manifesto, o grupo reclama que depois das eleições Dilma "parece levar mais em conta as forças cujo representante derrotou do que dialogar com as forças que a elegeram", em referência ao rival na disputa, senador Aécio Neves (PSDB-MG).

"As propostas de governo foram anunciadas claramente na campanha presidencial e apontaram para a ampliação dos direitos dos trabalhadores e não para a regressão social. A sociedade civil não pode ser surpreendida depois das eleições e tem o direito de participar ativamente na definição dos rumos do governo que elegeu".

No manifesto, os signatários afirmam ainda que Dilma foi vitoriosa "não porque cortejou as forças do rentismo e do atraso", mas sim porque movimentos sociais, sindicatos e militantes mostraram "a ameaça de regressão com a vitória da oposição de direita". "Não queremos apenas eleger nossos representantes políticos por medo da alternativa".

Em meio a pressão da sociedade civil e de partidos em relação à nova composição dos ministérios, o vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou ontem que as indicações do PMDB deverão ser concretizadas em dezembro, apesar de as negociações políticas terem sido tratadas durante reunião com Dilma na quinta-feira.

Temer disse ter a expectativa de que a indicação da equipe econômica ocorra nesta semana. Questionado sobre a indicação de Kátia Abreu para a Agricultura, o pemedebista minimizou as críticas dirigidas à senadora, motivadas por sua ligação com o agronegócio, e sinalizou que é uma indicação de caráter pessoal de Dilma, não do PMDB. (Colaborou Bruno Peres, de Brasília)

Por Cristiane Agostine | De São Paulo

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