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sábado, 26 de julho de 2014

Mal-estar no país aumenta chance de vitória de Aécio, diz FHC à Istoé


SÃO PAULO - Em entrevista à edição deste fim de semana da revista “Istoé”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 83 anos, afirmou que hoje aumentaram as chances de uma vitória do candidato do PSDB, Aécio Neves, na eleição para Presidência da República, após 12 anos da gestão Lula-Dilma. Há dois anos, segundo ele, não havia essa possibilidade e essa mudança na percepção é resultado do mal-estar no país, o cansaço, os erros de condução da política econômica, da perda de credibilidade do PT – arranhado pelo mensalão – e, mais recentemente, da quebra de confiança do empresariado no governo.

“Hoje, eu acho possível transformar esse mal-estar em algo que tenha consequência eleitoral”, porque isso favorece a oposição, segundo o ex-presidente.

Mais de uma década depois de deixar o Planalto e sem qualquer pretensão política, o ex-presidente fez duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo FHC, o governo petista persistiu no estímulo ao consumo e não olhou para outras questões. Ele também criticou a fala de habilidade de Dilma no manejo da política. “O Lula sabia manejar o Congresso. Não da maneira correta, pois o Mensalão ninguém pode apoiar. Mas ele sabia manejar. A Dilma não sabe manejar o Congresso”.

Sobre a economia, ele deu pouca relevância a um dos alvos principais da oposição, o fraco crescimento do produto interno bruto (PIB) brasileiro. Segundo FHC, “existe uma corrida pelo crescimento do PIB”, mas “a sociedade não quer só isso, as pessoas querem viver melhor”. “Primeiro mundo não é um país que tem muito PIB. É um país em que se vive melhor. Em que se tem segurança, educação, respeito e dignidade”, afirmou. “Aqui falta educação, segurança, o transporte não funciona”, acrescentou.

FHC disse que neste pleito o PSDB superou o “grave problema” da desunião que prevaleceu nas disputas presidenciais anteriores. Segundo o ex-presidente, “o PSDB uniu todo”. Na entrevista ele destacou o crescimento da candidatura de Aécio como resultado de sua capacidade de articulação. “O Aécio foi lá e fez.”

“O PSDB nunca tinha conseguido isso e estamos alcançando agora. Uma harmonização grande entre São Paulo e Minas”, afirmou o ex-presidente. “A chance de ganhar aumentou”.

Porém, FHC observou que se o tucano for bem sucedido e conquistar a Presidência da República, Aécio vai enfrentar uma situação difícil. “Os problemas se acumularam, não foram resolvidos e o PT será duro como oposição”.

O ex-presidente minimizou as preocupações dos que temem uma possível mudança radical nas políticas de inclusão social caso o candidato tucano vença a eleição. “O Aécio não vai mexer na política do Bolsa Família”, afirmou. Segundo ele, o tucano deverá implementar um acompanhamento da pessoa que é assistida até ela arrumar um emprego, a exemplo do que foi feito no Chile. “O ideal é que as pessoas não sejam dependentes. O Bolsa Família é uma solução de emergência, necessária, mas não para o futuro.”

Com relação a polarização entre pobres e ricos, de que o eleitor do PSDB é a “elite branca” do país, FHC disse que esse é um estigma que o PT quer colocar, mas que não existe. Segundo o ex-presidente, o PSDB conquistou eleições em Alagoas, Maceió, Belém e Piauí, algumas das regiões mais pobres do país.

“O quadro médio do PSDB é o sujeito de classe média universitária. O do PT é o quadro sindical. Tem uma diferença sim. Mas não é essa coisa de elite branca”, afirmou à revista. Além disso, “um candidato com 47% de rejeição não pode dizer que quem está contra é somente a elite branca”.

(Valor)
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