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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Resposta ao Deputado Zé Geraldo do PT (PA)

Santarém, 25 de maio de 2012 

Ao Sr. Deputado Zé Geraldo (PT/PA)

Em seu pronunciamento em 18/05 pp. o Sr. fez referência a fatos muito ofensivos relativos à minha pessoa que inexistem, são injustos e absolutamente falsos. Sr. Deputado, por quê faz isso com alguém? Por mais que em seguida eu o responda, o Sr. e seus companheiros já divulgaram ao léu estas declarações! Mesmo que o Sr. divulgue esta minha resposta por todos os espaços que divulgou seu pronunciamento, blogs etc... – o que me garante a lei e espero que o faça – há danos irreparáveis, o Sr. bem sabe disso, em meio à onda de falsos “denuncismos” que atingem esta Nação e, inclusive, membros de seu próprio partido. Certamente que outro pronunciamento reparatório também é o mínimo que se pode esperar de uma pessoa ética e que busque ser justo, mais ainda, de um representante do povo brasileiro.

Mesmo não sendo especialista em assunto jurídico, pude identificar o seguinte:

(A) O Sr. disse que meu nome "aparece em diversos processos no site do TCU". Meu nome, como de qualquer servidor público e, especialmente dirigente universitário, consta nas seguintes situações, todas coletivas:

(i) processo para a devolução da URP a todos os professores aposentados da UnB que a tem incorporado no salário e que a ADUnB impetrou um mandato de segurança coletivo, cuja decisão é negar o objeto (consideram ilegal a solicitação de incorporação), mas aguardar o julgamento do mandato coletivo;

(ii) prestação de contas da Universidade de Brasília/UnB em períodos em que eu era Pro Reitora desta instituição, nos anos de 2002 e 2003, em que constavam todos os que lá ocupavam cargos e também não há condenação alguma. Orgulhosamente meu nome está posto em seguida ao da digníssima Professora e minha mestra Profa. Carolina Bori, da USP, na época membro do Conselho Diretor da UnB.

(B) Quanto à referência que este deputado faz a processo por "acumulação indevida de cargos", identificando-a, (TCU 864/2006): trata-se de um processo relativo ao "Ex-Prefeito de Curianópolis, PA, Sr. Osmar Ribeiro da Silva". Portanto, mais uma falsa acusação de sua parte! Por quê faz isso tão levianamente, Sr. Deputado Zé Geraldo, representante do Pará, um estado desta federação ao qual tenho dedicado tanta atenção, trabalho e energia para o desenvolvimento de um dos mais importantes projetos acadêmicos deste país, neste momento de nossa História?

Sr. Deputado, veja bem: jamais tive qualquer processo jurídico em minha profissão, jamais acumulei cargos públicos, sou aposentada desde 2003, nunca fui ordenadora de despesa e, portanto, jamais poderia ter processo em TCU, além destes que tocam a todo servidor público, em cargo executivo ou não. Certamente o Sr. entende a gravidade de suas afirmações tão falsas! Mesmo que se desculpe comigo, o dano é muito grande!

Desejo completar esta mensagem abordando outros pontos de seu pronunciamento que atingem toda a instituição. Primeiramente, as afirmações sobre os faturamentos e contas, a administração da UFOPA já está com tudo pronto à disposição do público, como disse em seguida o reitor Seixas Lourenço em sua mensagem à comunidade. Portanto, não me atenho nisso pois deixo aos interessados, especialistas e aos técnicos da UFOPA que tanto tem se dedicado a implantar esta instituição com os prazos e resultados que estão conseguindo. Quero me ater ao projeto acadêmico, pois alguns companheiros seus em nossa instituição, notadamente os dois vices reitores indicados por seu partido, tanto o combatem e terminam gerando confusão nesta universidade.

A UFOPA é a universidade hoje portadora de uma das mais importantes experiências de inovações acadêmicas, tão almejadas pelos governos que seu partido promoveu: em dois anos já usufrui da condição de "universidade", com 1 curso de doutoramento e 3 mestrados, fora uma dezena de outros cursos de pós graduação, coisa que grandes universidades levaram 30 anos para conquistar e um número imenso delas até hoje não conseguiriam. Acrescentamos 35 novos cursos à esta região, dentre eles muitos na direção das engenharias, até hoje inexistentes por aqui. Trabalhamos para cerca de 8000 alunos alunos, conquistados nestes 2 anos, aos quais ofertamos um currículo voltado, como universidade brasileira alguma ainda o fez, para uma formação inicial sobre o conhecimento interdisciplinar das grandes ciências – aspecto almejado por todas as mais importantes instituições do mundo atual -, indispensável hoje para a lide com a complexidade dos problemas contemporâneos, especialmente para a Amazônia, deputado! Uma Universidade premiada recentemente, especificamente por dedicar-se a se envolver acadêmica e cientificamente com novos modelos de desenvolvimento local, exatamente para a região que o Sr. representa, deputado!

Fazemos tudo isso sem exame vestibular, sem que o estudante gaste um centavo para nela entrar, atendemos a 90% dos jovens da região, sem nos fecharmos à federação, com membros de quase todos os estados brasileiros. Conseguimos conquistar quase 1000 bolsas para nossos alunos, de variadas modalidades, com acesso inclusive e especialmente, para nossos 1200 calouros anuais. Será que o Sr. percebe o valor do que estou falando? Mais ainda: estes alunos podem ir construindo gradativamente seus percursos acadêmicos ao longo do tempo, sem exclusões, amadurecendo sem risco de serem postos fora do sistema de ensino por tentarem novos rumos acadêmicos. Nossas taxas de evasão estão em torno de 7%, enquanto o país alcança, na mesma fase do percurso, 20 a 25%. Superamos um sistema excludente que só permitia que se formassem menos da metade dos que nele entraram e já podemos projetar melhores resultados. O Sr. percebe o valor disso, Sr. Deputado?

Mais um aspecto de suma importância: o Sr. praticou ato tão deplorável especificamente num primeiro dia de greve que, embora dita de caráter nacional, é incendiada localmente por acusações deste tipo que o Sr. faz e que ofende a tantos servidores nossos! Isso vem sendo estimulado por seu grupo político em nossa universidade, após seu governo haver baixado Medida Provisória atendendo a demandas históricas, além de salariais, do nosso movimento docente - reiteradas exatamente há poucos dias pela mensagem do Ministro da Educação, Senador Mercadante, dando continuidade às negociações. Num cenário como este de interesses políticos contrários ao governo, o Sr. e seu grupo político atuante na UFOPA contribuem com injusta excitação à greve local com mais este ataque a uma equipe que tem se dedicado, como poucas na História deste país, à construção de uma Universidade identificada com o futuro verdadeiramente sustentável de uma região tão importante como esta que o Sr. representa...

O que é isso, Sr. Deputado? Fazendo acusações sem comprovação e falsas denúncias, sem certificar-se; apoiando grupo que propaga denúncias anônimas, inverídicas, desrespeitosas, ofensivas; pessoal que cria emails piratas para que não haja identificação; e, principalmente, gente que rompe continuamente com pressupostos éticos de lealdade inicial aos cargos, funções e equipes? O Sr. não deve concordar com esta falta mínima de respeito à veracidade das acusações, muito poderia contribuir para que a cultura de leviandade denunciatória fosse superada!

Sinto muito, Sr. Deputado pelo mal que vem praticando sem sequer certificar-se do que acusa! Lamento mesmo, porque sou uma "companheira" que, mesmo sem filiação assinada, lutou muito para que nossos ícones chegassem à Presidência da República. O Sr. me decepciona profundamente!

Gostaria muito de poder ter sua reparação, da forma mais justa e correta que o Sr. puder promover e fico aguardando, apesar de tudo, ainda com esperanças de que consigamos mais paz em nossos cenários de atuação!

Professora Doutora Dóris Santos de Faria
 
Uma cidadã aposentada, sem qualquer mancha em sua vida profissional, 63 anos, muitos dos quais dedicados às mais belas utopias da Humanidade e extremamente dedicada à UFOPA, porque tem absoluta convicção no projeto que esta universidade vem implantando.

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